Uma avaliação realizada em 259 escolas do país revelou que 40% dos adolescentes apresentam sintomas depressivos moderados ou graves, revelou hoje a Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Coimbra (ESEUC).
Estes são alguns resultados da intervenção feita por profissionais de saúde e agentes educativos em todo o país, divulgados pela ESEUC, instituição promotora do programa de prevenção do suicídio entre os jovens “Mais Contigo”, que tem a Direção-Geral da Saúde (DGS) como entidade parceira.
O projeto “Mais Contigo” já ultrapassou os 100 mil alunos ao longo de 18 anos em atividade.
Segundo a informação disponibilizada à agência Lusa pela ESEUC, um quarto dos adolescentes (25,8%) que, no último ano letivo participaram no programa, apresentaram, no início da intervenção, sintomatologia depressiva moderada ou grave.
“Se somarmos aqueles que evidenciaram sinais de depressão considerados ligeiros (14,5%), o número de jovens com sintomas como tristeza permanente, baixa autoestima, perda de interesse ou prazer, e até mesmo pensamentos negativos, por exemplo, sobe para 40,3%”.
No último ano letivo, o “Mais Contigo” abrangeu o maior número de adolescentes desde o início do programa: foram 18.651 alunos (com 17.952 questionários validados) do 7.º ao 12.º ano de escolaridade, embora maioritariamente (57%) sejam alunos do 8.º ano.
Os dados apresentados pela equipa coordenadora nacional do “Mais Contigo” referem que 2.179 adolescentes se encontravam em maior risco de adotar um comportamento suicidário e destes 65,9% eram raparigas.
No ano letivo de 2025-2026, o programa foi implementado num total de 259 instituições de ensino, foram formados mais 281 dinamizadores, realizadas sessões de sensibilização que envolveram 2.002 encarregados de educação e 3.091 docentes e assistentes operacionais.
Em funcionamento há 18 anos, o projeto Mais Contigo foi criado pela ESEUC e pela ex-Administração Regional de Saúde do Centro.
O projeto teve inicialmente uma ambição local, que depressa passou para o contexto regional e que, anos mais tarde, atingiu a abrangência nacional, contando atualmente com vários parceiros pelo país.
O “Mais Contigo” trabalha aspetos como o estigma em saúde mental, o autoconceito e a capacidade de resolução de problemas, devidamente enquadrados na fase da adolescência.