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Dezenas de pessoas protestam em Portalegre contra alegada redução de horas de serviço de um médico

LUSA
17-09-2026 19:38h

Dezenas de pessoas participaram hoje numa marcha silenciosa, em Portalegre, em protesto contra a alegada redução de horas de trabalho de um médico prestador de serviços na Unidade de Oncologia do hospital daquela cidade.

Vestidos de branco e com um lenço rosa e azul na lapela, os manifestantes deslocaram-se desde a Praça da República até ao Hospital de Portalegre, numa distância superior a um quilómetro, de forma silenciosa.

Em declarações à agência Lusa, Sónia Silva, do grupo “Valorizar quem cuida”, que promoveu o protesto, explicou que o “único objetivo” da ação passava por “valorizar o trabalho” do médico oncologista Rui Dinis, que presta serviços naquela unidade hospitalar.

“Estamos a lutar por uma causa, que é a permanência do dr. Rui Dinis no serviço de Oncologia e não a redução das horas que ele tem”, disse.

De acordo com Sónia Silva, também doente oncológica, o médico realizava consultas em Portalegre durante a semana, “sábados e alguns domingos”, mas, nesta altura, “não vem a Portalegre” ao fim de semana.

“O médico vem durante a semana, um dia e meio por semana. Ontem [quarta-feira] eu tentei marcar consulta, não tinha agenda para outubro, hoje tentei marcar e o dr. Rui Dinis vem na terça-feira dar consultas antes da consulta de decisão terapêutica e, depois, na sexta-feira. Não há nada de novidade do acréscimo de horas”, lamentou.

Sónia Silva disse ainda que o médico tem nesta altura “uma lista de espera de 350 doentes” oncológicos.

“Foi sugerido por parte da administração da Unidade Local de Saúde (ULS) do Alto Alentejo ao doutor que viesse fazer dois sábados para diminuir a lista de espera das consultas, só isso, pois na agenda de outubro não estão incluídos sábados”, acrescentou.

O administrador da ULS Alto Alentejo, Miguel Lopes, esteve na entrada do Hospital de Portalegre para receber e reunir-se com os manifestantes, mas os promotores do protesto rejeitaram o encontro.

Segundo Sónia Silva, “não era o momento” porque existe “um compromisso” com a presidente da Câmara de Portalegre, Fermelinda Carvalho, que é quem “está sensibilizada” para a situação, servindo também a autarca “de ponte” para o diálogo com a ULS do Alto Alentejo.

Na sequência do protesto e em declarações à Lusa, o presidente do conselho de administração da ULS Alto Alentejo, Miguel Lopes, assegurou que a reorganização da Unidade de Oncologia servirá para reforçar o serviço, indicando que a reestruturação envolve a contratação de mais um médico oncologista.

“Pela primeira vez, a ULS [Alto Alentejo] tem um médico oncologista residente e vamos manter, como é óbvio, o protocolo que temos com o Hospital de Évora e o apoio, no Hospital de Portalegre, do dr. Rui Dinis e, em Elvas [hospital], da dra. Alísia”, garantiu.

“Não está previsto, e já reiterei isto várias vezes, que o dr. Rui Dinis, que em particular neste caso está a ser questionado, deixará de acompanhar os seus doentes”, sublinhou.

Miguel Lopes explicou ainda que Rui Dinis é “profissional do quadro e diretor de serviço” no Hospital de Évora e que se desloca a Portalegre “sempre que tem disponibilidades” para realizar consultas.

“Ele, neste momento, já deu as suas disponibilidades para o mês de outubro, as consultas estão a ser agendadas e é assim que tem funcionado todos os meses. Portanto, toda esta incerteza que as pessoas têm, a única coisa que eu posso dizer é que estejam tranquilas, que continuarão a ser acompanhadas pelo dr. Rui Dinis, como tem sido até agora”, assegurou.

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