Os profissionais do Simão Mendes, principal hospital da Guiné-Bissau, paralisaram hoje o atendimento médico, na sequência da detenção de uma técnica de saúde por militares por desentendimentos, noticiou a comunicação social local.
De acordo com as mesmas fontes, a crise teve início na noite anterior, quando um militar, inicialmente descrito como estando à paisana, acompanhado por familiares, procurou atendimento na enfermaria de Medicina do hospital.
Uma técnica de saúde que se encontrava no serviço pediu ao acompanhante que reduzisse o barulho no local, o que teria motivado uma troca de palavras e uma alegada agressão mútua.
Vários órgãos de comunicação social guineenses relataram que a técnica teria recebido um golpe na cabeça e uma bofetada. Na sequência, elementos das forças de segurança foram chamados e detiveram a enfermeira, conduzindo-a para a primeira Esquadra de Bissau.
Em solidariedade, os funcionários iniciaram uma greve nas primeiras horas da manhã de hoje, exigindo a libertação da colega. Os protestos estenderam-se e resultaram na detenção de mais dois técnicos de saúde, acrescentaram as mesmas fontes.
A paralisação total atingiu serviços essenciais, incluindo a pediatria e a maternidade do Hospital Simão Mendes, na capital, deixando dezenas de pacientes sem assistência e gerando momentos de grande tensão no recinto, onde se registou a presença de agentes encapuzados.
Dada a tensão no local, com os técnicos reunidos no pátio do hospital em protesto, o primeiro-ministro, Ilídio Vieira Té, acompanhado dos ministros do Interior, general Mama Saliu Embaló, e da Saúde, comodoro Quinhin Na Ntote, deslocou-se ao local para acalmar os ânimos.
O chefe do Governo de transição reuniu-se com os profissionais de saúde e com os elementos das forças de segurança presentes no local para lhes dizer que a sua presença visava apelar à calma e evitar atos de violência, sublinhando, contudo, que “ninguém tem o direito de agredir outra pessoa”.
Na sequência da visita, o primeiro-ministro ordenou ao ministro do Interior a “libertação imediata” de todos os técnicos de saúde detidos.