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Conferência nutricional em Moçambique defende sistema alimentar inclusivo

LUSA
15-09-2026 20:10h

Os participantes na conferência sobre segurança alimentar e nutricional em Moçambique sublinharam hoje a necessidade de garantir o acesso equitativo à alimentação e a mobilizar recursos para construir sistemas alimentares mais inclusivos e resilientes.

A declaração de compromissos assumidos na primeira Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, que arrancou na segunda-feira e termina hoje, em Maputo, assumiu que o Governo, em coordenação com parceiros de cooperação, vai avançar com ações concretas para travar a fome.

“Comprometemo-nos a trabalhar conjuntamente para garantir que todas as pessoas, particularmente as mais vulneráveis, tenham acesso equitativo a alimentos seguros, nutritivos e adequados e para construir sistemas alimentares mais inclusivos, sustentáveis e mais resilientes”, disse Judith Mussácula, secretária executiva do Secretariado Técnico de Segurança Alimentar e Nutricional (SETSAN), que apresentou o documento de compromissos.

No documento assume-se que a segurança alimentar e nutricional é uma responsabilidade de todos e uma condição indispensável para o desenvolvimento sustentável de Moçambique, defende-se a aceleração da implementação da política estratégica da segurança alimentar e nutricional e da agenda 2024-2030 e apela-se a transformar os consensos alcançados em resultados concretos para a população.

“Comprometemo-nos a fortalecer a colaboração multissetorial e multinível, promover políticas e investimentos baseados em evidências, mobilizar recursos necessários e acelerar a implementação das prioridades nacionais de segurança alimentar e nutricional”, acrescenta-se no documento, apresentado por Judith Mussácula.

Ao discursar no encerramento do evento, o ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas disse que este evento assume que é necessário melhorar os sistemas alimentares, o modo de preparação dos alimentos para tirar melhor proveito, reduzir perdas pós-colheita e acelerar medidas contra choques climáticos para travar a fome.

Segundo o ministro Roberto Albino, no encontro destacou-se também a necessidade de introduzir um instrumento de monitoria e avaliação da implementação da política estratégica da segurança alimentar e nutricional e da agenda 2024-2030 e a necessidade de um plano de financiamento conjunto deste instrumento.

A implementação destes compromissos deverá ser materializado pelo SETSAN, que vai também avançar com a criação de representantes das províncias e incorporar numa matriz os compromissos e os respetivos mecanismos de controlo e avaliação.

Na abertura da conferência, o Presidente moçambicano questionou a prevalência da desnutrição crónica em menores de 5 anos em 37%, quando há recursos para produção alimentar, e pediu ao instituto de cereais para definir preços para travar a “exploração” dos agricultores.

“A prevalência da desnutrição crónica em crianças menores de 5 anos situa-se ainda em cerca de 37%. Esta é a média nacional. Há províncias que estão aproximadamente a 50%", notou Chapo.

"Perante esta realidade, devemos ter a coragem de colocar uma pergunta simples, mas cuja resposta é determinante. Como podemos ter tanta terra, tanta água, tantos produtores e tantas potencialidades e ao mesmo tempo continuarmos a ter tantas crianças privadas das condições nutricionais necessárias para desenvolver plenamente o seu potencial?”, questionou.

O chefe do Estado moçambicano disse não compreender como províncias com altos índices de produção agrícola podem continuar a registar níveis elevados de desnutrição, indicando que a reflexão que tem feito indica tratar-se de falta de hábitos alimentares.

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