O Governo moçambicano pretende garantir reforço e reposição da segurança hídrica para consumo humano, agricultura e pecuária e prepara a saúde, energia, educação e indústria contra o impacto do El Niño, segundo um plano aprovado hoje.
O plano de mitigação dos impactos do fenómeno El Niño foi aprovado hoje pelo Conselho de Ministros, reunido em mais uma sessão, em Maputo, com o porta-voz, Salim Valá, a explicar que este instrumento visa preparar o país para o fenómeno que se aproxima, sublinhando que as zonas que poderão ser severamente afetadas devem começar a se preparar.
“O plano visa garantir a reposição e reforço da segurança hídrica, assegurar água para o consumo humano, para irrigação e abeberamento do gado, proteger a agricultura e a pecuária, incluindo seu fomento, reforçar a capacidade dos sistemas de abastecimento de água e saneamento, preparar os setores de saúde, educação, energia e indústria para esta situação calamitosa”, explicou Valá.
O plano, disse, visa proteger as populações vulneráveis, reforçando a monitoria e o aviso prévio e mobilizando atempadamente os recursos necessários à implementação das medidas prioritárias de mitigação dos impactos deste fenómeno.
O Governo adiantou que há uma equipa multissetorial que estuda os detalhes sobre os impactos financeiros e outros de caráter social face ao fenómeno El Niño, prometendo mais detalhes para breve.
Na segunda-feira, o Presidente moçambicano pediu ações antecipadas para travar impactos do El Niño que se avizinha de forma “acelerada e assustadora”, apelando a novas formas de financiar a segurança alimentar num dos países mais afetados por desastres.
“Não (...) podemos responder à crise quando ela já chegou. Precisamos de antecipar. Por isso (…) estamos a insistir em falar do El Niño exatamente para podermos antecipar, prevenir e construir resiliência, investindo na gestão de água, irrigação, tecnologia adaptada, sistemas de alerta precoce e armazenamento, com El Niño avizinhar-se, como fizemos referência, de uma forma acelerada e assustadora”, disse o Presidente de Moçambique.
Na sexta-feira, Moçambique estimou registar seis milhões de casos de doenças sensíveis a mudanças climáticas, com destaque para a malária, meningite e diarreia, devido aos impactos do fenómeno meteorológico El Niño, previsto para o período 2026-2027.
O alerta surge no mesmo período em que uma análise técnica de organizações moçambicanas e internacionais estimou um agravamento de 55% da insegurança alimentar aguda até março de 2027, para 1,84 milhões de pessoas, devido ao conflito armado no norte do país, ao fenómeno El Niño e ao esgotamento das reservas alimentares.
A previsão consta de uma análise da Classificação Integrada das Fases da Segurança Alimentar, coordenada pelo Secretariado Técnico de Segurança Alimentar e Nutricional, que aponta para um agravamento face aos atuais 1,19 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar aguda.
O Governo moçambicano já tinha alertado para potenciais impactos do fenómeno El Niño em pelo menos 52 distritos das regiões sul e centro do país, adiantando estar em preparação um plano de ação para mitigar os efeitos da seca e da escassez de água.
Na mesma sessão, o executivo aprovou a resolução que aprova a Estratégia de Desenvolvimento Meteorológico 2026-2035.
“A estratégia enquadra-se na continuidade da implementação de ações definidas na política da meteorologia, nomeadamente a modernização da Rede Nacional de Observação Meteorológica, de modo a tornar o sistema de aviso prévio mais inclusivo e conducente à criação de resiliência nas comunidades face às mudanças climáticas”, explicou o porta-voz do Conselho de Ministros.