A Unidade Local de Saúde do Alentejo Central (ULSAC) esclareceu que a retoma dos tratamentos na Unidade de Radioterapia de Évora, alvo de renovação e modernização, está condicionada à conclusão de testes e obtenção de licenciamentos.
Num esclarecimento enviado à agência Lusa, a ULSAC indicou que a unidade de radioterapia do hospital de Évora está temporariamente encerrada, desde 01 de junho, para “permitir a renovação integral e modernização tecnológica dos respetivos equipamentos”.
“Não se trata do encerramento da unidade de radioterapia, mas de uma suspensão temporária e previamente planeada, indispensável à instalação de equipamentos tecnologicamente mais avançados e criação de melhores condições de segurança, precisão e eficácia dos tratamentos”, realçou.
Segundo a ULSAC, a intervenção, financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), representa um investimento de cerca de quatro milhões de euros e inclui a substituição dos dois aceleradores lineares e trabalhos de instalação, testes, validação e licenciamento pela Entidade Reguladora da Saúde.
“Os aceleradores estão instalados, contudo a retoma dos tratamentos em Évora está condicionada à conclusão dos testes técnicos, obtenção dos licenciamentos obrigatórios e verificação de todas as condições de segurança clínica”, adiantou.
O esclarecimento da ULSAC surge depois de, no domingo, a estrutura em Évora do Bloco de Esquerda (BE) ter manifestado preocupação com os doentes oncológicos do hospital local que necessitam de radioterapia e que, desde 01 de junho, se deslocam a outras unidades para efetuar os tratamentos.
O atendimento está a ser feito em “Santarém, Faro ou Lisboa”, primeiro por “força da renovação de equipamento”, e, agora, “aparentemente por problemas na operação”, alegou o BE.
No comunicado, a ULSAC lembrou que, aquando do anúncio das obras em abril deste ano, informou que os trabalhos teriam uma duração mínima estimada de quatro meses.
“Este período integra não apenas a componente de obra e instalação, mas também os procedimentos técnicos e legais necessários ao licenciamento dos novos equipamentos e à retoma da atividade em condições de plena segurança”, frisou.
De acordo com a ULSAC, “a continuidade dos cuidados aos doentes oncológicos mantém-se assegurada”, sendo que “a primeira consulta, a avaliação inicial e o acompanhamento clínico continuam a realizar-se em Évora”.
“Sempre que existe indicação para tratamento de radioterapia, o encaminhamento é organizado para unidades externas, procurando privilegiar a proximidade da residência do utente e, sempre que possível, a sua preferência”, notou.
Assinalando que assegura o apoio logístico e o transporte necessário às deslocações dos utentes, a ULSAC vincou que “mantém-se a monitorização do percurso de cada doente e a articulação entre as equipas envolvidas”.
“Paralelamente, a situação do procedimento concursal em curso não interrompeu o acompanhamento clínico dos doentes nem alterou a obrigação da ULSAC de assegurar o acesso aos tratamentos necessários”, argumentou.
A ULSAC reconheceu “o impacto que as deslocações representam para os doentes e suas famílias”, mas assinalou que a renovação da unidade visa “garantir que o Alentejo Central disponha de uma resposta de radioterapia moderna, segura, diferenciada e sustentável”.
Segundo o BE, a ULSAC lançou, em fevereiro deste ano, um concurso para nova concessão da unidade de radioterapia, que “foi ganho pela Altrys Portugal, empresa de origem espanhola, que já anteriormente havia tido a concessão deste serviço”.
Este concurso “terá acabado por ser anulado, alegadamente pelo Tribunal de Contas, sem que se conheçam os fundamentos” da anulação, disse, exigindo à ULSAC que “promova a reabertura” da unidade “adotando as necessárias medidas” para que “cumpra de forma autónoma” as suas responsabilidades na prestação dos cuidados de radioterapia.