O ministro da Saúde moçambicano revelou hoje que pelo menos 54 profissionais foram expulsos no ano passado por más práticas no setor e prometeu “mão dura” e “tolerância zero”, avisando que não haverá “piedade” para essas infrações.
“Vamos ser muito implacáveis nesta componente. Mão dura nesta componente. E quando esta componente do mau atendimento, das cobranças ilícitas, roubo de medicamentos tiver rosto, não haverá piedade. Tolerância zero”, afirmou Ussene Isse, durante o 51.º Conselho Coordenador da Saúde, que decorre na cidade da Beira, província de Sofala, centro de Moçambique.
O ministro considerou que estes comportamentos, praticados por uma minoria, prejudicam a imagem dos milhares de profissionais que trabalham no setor, defendendo que a resposta deve passar pelo reforço da responsabilidade, da ética e da qualidade no atendimento à população.
“Eu sinto alguma vergonha quando sou confrontado com esta questão do atendimento ao povo moçambicano. Por isso, colegas, o nosso compromisso é que temos de ser reconhecidos como o contingente ou grupo que acabou com o mau atendimento, acabou com as cobranças ilícitas, acabou com o furto de medicamentos”, disse.
Isse pediu aos gestores e diretores das unidades sanitárias para acompanharem diretamente o funcionamento dos hospitais, incluindo maternidades, serviços de urgência e armazéns de medicamentos, e defendeu visitas não anunciadas para verificar as condições de atendimento.
“Colegas, gestores, diretores que estão aqui, saiam dos gabinetes, deixem aquele conforto ali, do gabinete, vai ficar ali com os colegas, na base, no terreno. Fazer consultas, acompanhar os doentes, ver a maternidade, ver os pontos de socorro, controlar”, afirmou.
O governante defendeu que os responsáveis que não estejam preparados para enfrentar os problemas devem ser substituídos, comparando a gestão do setor a uma equipa desportiva que precisa de trocar jogadores quando estes não conseguem contribuir para alcançar os objetivos definidos.
O secretário de Estado de Sofala, Manuel Rodrigues, revelou, por sua vez, que foram instaurados 29 processos disciplinares a profissionais de saúde, numa medida que, segundo afirmou, visa combater práticas lesivas e valorizar os trabalhadores que exercem as suas funções com dedicação e responsabilidade.
“A saúde é um direito cidadão e não pode transformar-se numa oportunidade de enriquecimento ilícito. Por isso, continuaremos, como província, a fortalecer os mecanismos de controle interno, a fiscalização, a denúncia, para irmos melhorando cada vez mais a precisão de cuidar da saúde da nossa população”, afirmou.
Entre as prioridades do setor estão o reforço da saúde comunitária, tendo o ministro anunciado ainda a entrega de medicamentos e material médico-cirúrgico, prevista para dia 14.
Segundo Isse, o reforço do abastecimento deve ser acompanhado por mecanismos rigorosos de controlo para evitar desvios e garantir que os recursos chegam às unidades sanitárias e aos doentes.
O ministro advertiu igualmente para a necessidade de melhorar o atendimento nas maternidades, defendendo que os profissionais devem tratar os utentes com empatia, respeito e responsabilidade, num setor cujo lema, recordou, coloca a vida como principal valor.
“Não podemos aceitar que uma mulher perca o seu bebé na maternidade porque os colegas não se comportaram bem”, afirmou, defendendo uma mudança na atuação dos profissionais e dos gestores das unidades sanitárias.
O combate ao desvio de medicamentos tem sido assumido como prioridade pelo Governo moçambicano. Em 07 de maio, o ministro da Saúde defendeu um "combate frontal" ao roubo, desperdício e corrupção na cadeia de abastecimento de fármacos, considerando que estas práticas fragilizam o sistema público de distribuição.