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Medicina tradicional moçambicana encaminhou a hospitais 368 mil suspeitas de doenças

Lusa
31-08-2026 13:44h

A medicina tradicional moçambicana encaminhou mais de 368 mil casos suspeitos de tuberculose, malária e VIH/Sida para unidades sanitárias nos últimos dois anos, avançou hoje o Governo, que pretende reforçar a colaboração com este setor.

A informação foi avançada pela chefe do Departamento de Medicina Tradicional e Alternativa no Ministério da Saúde (Misau), Graça Cumbe, durante as comemorações do Dia da Medicina Tradicional Africana, que decorrem sob o lema "Reflexão sobre os esforços de investigação e desenvolvimento da medicina tradicional para a concretização da cobertura universal de saúde na região africana".

Na ocasião, a responsável avançou que os praticantes de medicina tradicional encaminharam 368.566 casos suspeitos para as unidades sanitárias nos últimos dois anos, dos quais 13.729 suspeitos de tuberculose, 13.336 de VIH e 38.309 de malária.

No mesmo período, adiantou o Misau, os praticantes da medicina tradicional em Moçambique distribuíram um total de 116.980 preservativos, com o Governo a calcular que, em colaboração com a medicina convencional, foram atendidos pelo menos 23.763 pacientes.

O Governo registou ainda 33.471 praticantes de medicina tradicional e treinou, em todo o país, um total de 7.957 praticantes em cuidados de saúde primários.

"A ciência moderna e a etnobotânica tradicional não caminham em sentidos opostos; pelo contrário, convergem de forma inequívoca. Evidências científicas consolidadas pelo inventário botânico do nosso país revelam que a flora moçambicana possui um valor farmacológico imensurável. Estudos laboratoriais recentes validam o potencial antimicrobiano e antimalárico de espécies endémicas e amplamente utilizadas pelas nossas comunidades", disse Graça Cumbe.

Assim, o Governo comprometeu-se a continuar a envidar esforços para estreitar cada vez mais a colaboração com os praticantes da medicina tradicional, visando melhorar a vida dos moçambicanos.

"Defendemos ainda uma articulação formal e complementar entre a medicina convencional e a medicina tradicional e alternativa, onde o respeito mútuo, a ética e a partilha de informação concorram para o objetivo maior, que é proteger e salvar vidas humanas", disse a chefe do Departamento de Medicina Tradicional e Alternativa no Misau, apontando para esforços que visam alargar a cobertura universal dos cuidados de saúde.

No início deste mês, a pediatra moçambicana Chila Selemane alertou para riscos para a saúde associados ao uso de plantas medicinais tradicionais no tratamento de doenças em crianças, defendendo que as autoridades aprofundem o estudo desta área para melhor beneficiar os cidadãos.

"O problema não é ser uma planta ou um remédio tradicional. O grande problema é usar o produto quando temos pouca informação sobre o que estamos a administrar, que é o que temos estado a verificar. É importante sabermos que planta está a ser utilizada", disse a médica pediatra e residente em Pneumologia Pediátrica no Hospital Central de Maputo (HCM), o maior de Moçambique.

"É importante percebermos que existem riscos e efeitos colaterais associados ao uso massivo. Quando falamos de uso massivo, referimo-nos, por exemplo, àquela criança que nasceu e que, desde a primeira semana de vida, vem recebendo uma determinada medicação. Precisamos de saber quais os efeitos colaterais que poderá ter. Essa medicação, administrada durante longos períodos, também pode provocar efeitos colaterais", afirmou.

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