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Mpox: Cabo Verde reforça comunicação de risco devido a surto na Guiné-Bissau

Lusa
27-08-2026 11:25h

Cabo Verde está a reforçar a comunicação de risco sobre o vírus monkeypox (mpox) devido ao surto na Guiné-Bissau e mantém atenção aos países da região com "forte fluxo" de pessoas com o arquipélago, disse hoje o Instituto de Saúde Pública.

"Face ao aumento de casos em países com forte fluxo de pessoas com Cabo Verde, como a Guiné-Bissau, por exemplo, foi reforçada a comunicação de risco sobre o tema, tal como previsto no plano de contingência", disse à Lusa Hélio Rocha, membro do conselho diretivo do INSP.

O responsável explicou que a comunicação de risco inclui informação dirigida às pessoas que viajam para zonas afetadas e às que regressam dessas regiões, alertando para a possibilidade de surgirem sintomas após a viagem.

"Convém alertar que as doenças infecciosas têm um período de incubação, pelo que os sintomas podem não estar presentes no momento da viagem", esclareceu.

Hélio Rocha adiantou que esta orientação integra uma abordagem geral de comunicação de risco sobre doenças infecciosas e não é exclusiva da mpox.

Em Cabo Verde, não há atualmente casos suspeitos ou confirmados da doença, segundo o INSP.

O país dispõe desde 2024 de um plano de contingência para a mpox, que assenta em sete pilares: coordenação, vigilância epidemiológica, gestão de casos, comunicação de risco, vacinação, investigação e pesquisa e logística.

O plano não foi ativado nem atualizado devido ao surto na Guiné-Bissau, uma vez que, segundo Hélio Rocha, "não houve mudança no perfil epidemiológico do país".

"Até ao momento, não se justifica uma atualização do plano, dado que não houve mudança no perfil epidemiológico do país. Contudo, sempre que se verificar essa necessidade, o plano será prontamente revisto e ajustado", acrescentou.

O INSP dispõe de capacidade para o diagnóstico molecular da mpox através de testes PCR no laboratório de virologia do instituto, instalado para responder a eventuais casos da doença.

As estruturas de saúde dispõem de meios para responder a um eventual caso, de acordo com o plano de contingência, embora as medidas possam ser ajustadas caso se altere a situação epidemiológica.

A vacinação é também um dos pilares do plano de contingência e poderá ser ativada se for considerada necessária.

O reforço da comunicação de risco sobre doenças infecciosas já tinha ocorrido em setembro de 2025, após o registo de um caso de mpox no Senegal, segundo Hélio Rocha.

A Guiné-Bissau enfrenta o primeiro surto de mpox, com sete casos confirmados e 46 suspeitos, que afeta sobretudo crianças com menos de 15 anos, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

A organização indicou precisar de mais de 150 mil dólares (128 mil euros) para apoiar a resposta ao surto na Guiné-Bissau.

A mpox é uma doença viral que pode ser transmitida dos animais aos seres humanos e entre pessoas.

Os sintomas incluem febre, dores musculares e lesões na pele.

Um caso é considerado suspeito quando uma pessoa que esteve em contacto com um doente apresenta manifestações clínicas após o período de incubação, que varia entre cinco e 21 dias.

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