SAÚDE QUE SE VÊ

Suspensão da IVG no hospital de Almada e encaminhamento para o privado "é uma coisa escandalosa" - Paulo Raimundo

LUSA
20-08-2026 14:48h

O secretário-geral do PCP considerou "um escândalo" a suspensão das interrupções voluntárias da gravidez no hospital de Almada, encaminhando as utentes para uma clínica privada, e alertou que a Península de Setúbal tem sido cobaia de experiências.

"Para este Governo, nós sabemos, tudo é negócio, tudo é oportunidade de negócio. Pelos vistos também a interrupção voluntária da gravidez passa a ser uma oportunidade de negócio. É uma coisa escandalosa”, disse Paulo Raimundo em declarações aos jornalistas à margem de uma visita ao Porto de Abrigo de Sesimbra, no distrito de Setúbal, adiantando que "nem queria acreditar” quando soube da medida.

“Vou ser sincero, eu nem queria acreditar, sinceramente, nem queria acreditar. Isso não é apenas um problema do serviço, não é apenas uma questão de opção de desmantelamento do serviço, é uma questão ideológica. O Ministério da Saúde decide acabar com o serviço e transferir esse serviço para o setor privado”, disse.

As comissões de utentes dos concelhos de Almada e Seixal denunciaram no fim de semana que as interrupções voluntárias da gravidez foram “descontinuadas” no Hospital Garcia de Orta no dia 10 de agosto estando agora a ser garantidas por uma clínica privada em Lisboa, mas a Unidade Local de Saúde assegurou que a situação é temporária.

Em resposta à Lusa, a Unidade Local de Saúde Almada-Seixal (ULSAS) confirmou que não está “a ser possível, neste momento, garantir resposta atempada às mulheres que pretendem avançar com a Interrupção Voluntária da Gravidez” tendo firmado um protocolo “com um estabelecimento oficialmente reconhecido pela Direção-Geral da Saúde (DGS) para a realização de interrupção da gravidez por opção da mulher”, sem precisar o local.

Paulo Raimundo alertou que a Península de Setúbal, onde também vive, “tem sido a principal cobaia das experiências”.

“Primeiro foi as urgências rotativas, com as consequências que teve, depois foi com o encerramento das urgências, nomeadamente no Barreiro, e não só, e a concentração das urgências em Almada, com as consequências que está a ter. Agora parece que há esta incapacidade dos serviços, teoricamente, de darem resposta à interrupção voluntária de gravidez. A gente sabe como é que isto começa e sabe como é que acaba”, disse.

O caminho do Governo, acrescentou o líder comunista, é “o desmantelamento e a entrega dos serviços ao setor privado”.

Paulo Raimundo lembrou que o PCP enviou já perguntas ao Governo sobre esta questão.

No requerimento enviado ao Governo o PCP questiona desde quando esta tomada a decisão de entregar as IVG das utentes abrangidas pela ULS Almada Seixal a uma clínica privada, como explica que tenha sido extinguido de imediato o endereço eletrónico que tinha para estas situações e que garantias pode o Governo dar de que este processo não vai colocar novos constrangimentos às utentes que queiram realizar uma IVG, ou mesmo impedir a sua realização em condições de segurança.

O PCP quer ainda saber por que razão não é assegurado o transporte às utentes que têm de ir realizar este procedimento Lisboa e por que razão a ULSAS decide transferir todos os processos de IVG para o setor privado, não optando por encaminhar apenas os casos para os quais não tivesse, de imediato, resposta.

MAIS NOTÍCIAS