O navio humanitário “Life Support”, operado pela ONG italiana EMERGENCY, resgatou hoje 50 pessoas, duas delas em estado crítico, e recuperou os cadáveres de sete migrantes que viajavam num barco de madeira no Mediterrâneo.
Num comunicado, a organização não-governamental (ONG) indicou que o resgate ocorreu às 08:07 locais (07:07 de Lisboa) em águas internacionais da zona de busca e resgate (SAR) líbia, depois de o navio humanitário ter avistado uma embarcação de madeira de dois andares.
O chefe da missão, Jonathan Nanì La Terra, relatou que pelas 06:00 locais (05:00 de Lisboa), a tripulação identificou duas embarcações, recorrendo ao radar, localizando-as depois a partir do convés, com binóculos.
Ao aproximar-se, a tripulação do “Life Support” viu um barco de madeira sobrelotado e uma lancha de patrulha líbia que se acercava e começou a dirigir-se para o navio humanitário.
“A uma milha de distância, contactámo-los para os informar de que a operação de resgate já estava em curso: a embarcação líbia permaneceu no local a monitorizar a operação durante toda a sua duração”, explicou Jonathan Nanì La Terra.
Durante o resgate, a tripulação da embarcação humanitária identificou nove pessoas deitadas no convés do barco de madeira, para onde tinham sido transferidas do porão - onde tinham permanecido durante a viagem - pelos outros passageiros.
“De entre os náufragos, nove pessoas necessitam de assistência médica. Para duas delas, em estado crítico por asfixia, a equipa a bordo do ‘Life Support’ solicitou um transporte médico urgente às autoridades competentes, que já está a caminho”, acrescentou a EMERGENCY no comunicado.
Das 50 pessoas resgatadas com vida, há 45 homens e cinco mulheres. Do total, 29 são menores estrangeiros desacompanhados (26 rapazes e três raparigas).
Devido ao estado dos sobreviventes, a EMERGENCY solicitou às autoridades que lhes fosse indicado um porto seguro (POS, na sigla em inglês) próximo, com o objetivo de “evitar mais sofrimento” às pessoas resgatadas após a travessia do mar Mediterrâneo.
As autoridades italianas designaram o porto de Bari, no sul de Itália.
Também hoje de manhã, outra ONG, a SOS Méditerranée, resgatou 55 pessoas na zona de busca e salvamento de Malta, entre as quais oito mulheres e nove crianças, que estavam à deriva no mar há três dias, a bordo de um bote pneumático, e provinham, na maioria, do Sudão.
A organização humanitária recebeu o pedido de socorro transmitido por um avião da Frontex, a Agência Europeia da Guarda Costeira e de Fronteiras, relatou a SOS Méditerranée na rede social X.
Desde o início de 2026, chegaram às costas de Itália 17.800 migrantes, menos de metade dos 39.116 registados no mesmo período do ano passado, segundo dados do Ministério do Interior italiano.