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Autoridades moçambicanas ativam ações preventivas em 26 distritos em risco de seca

LUSA
13-08-2026 10:01h

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inam) de Moçambique ativou ações antecipadas de resposta pronta face ao risco de ocorrência de seca em 26 distritos de sete províncias de todo o país.

Segundo o boletim de monitorização dos planos de ações antecipadas à seca de agosto, divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inam) e a que a Lusa teve acesso hoje, pelo menos 13 distritos atingiram a fase “set”, classificada como de risco severo, acionando mecanismos de resposta.

Trata-se dos distritos de Changara, Marara, Machanga, Magoe, Govuro, Guro, Machaze, Mutarara, Panda, Chiuta, Chókwè e Macossa, bem como da cidade da Beira.

As autoridades alertam igualmente para o risco de seca moderada em cinco distritos, nomeadamente Chibuto, Chiure, Moamba, Machaze e Memba, enquanto oito distritos apresentam risco de seca ligeira: Muanza, Tambara, Cahora Bassa, Chibabava, Caia, Chemba, Guijá e Magude.

Já para a fase “ready”, correspondente ao estado de prontidão para eventuais intervenções em caso de agravamento da situação, o Inam identificou pelo menos 10 distritos.

Em julho, um relatório da organização internacional independente ACAPS indicou que Moçambique é um dos países com maior risco de impactos humanitários associados ao fenómeno El Niño, que deverá persistir até março de 2027, agravando a insegurança alimentar, a escassez de água, a desnutrição e as necessidades sanitárias.

O relatório da organização, que analisa crises humanitárias e apoia a tomada de decisões no setor da ajuda humanitária, considera as atuais condições do El Niño das mais intensas desde 1950.

O documento coloca Moçambique na lista dos países com “maior risco de impactos humanitários severos causados ou agravados pelo El Niño entre julho de 2026 e março de 2027”, juntamente com Afeganistão, Burkina Faso, Etiópia, Guatemala, Haiti, Honduras, Quénia, Madagáscar, Mali, Paquistão, Filipinas, Somália, Sudão do Sul e Sudão.

O fenómeno El Niño está associado, em Moçambique, a períodos de precipitação abaixo da média em várias regiões, com impacto na produção agrícola, principal fonte de subsistência de grande parte da população rural.

Também um relatório divulgado em 16 de julho pela Aliança para uma Revolução Verde em África (AGRA) estimou que mais de 3,5 milhões de moçambicanos enfrentam níveis preocupantes de insegurança alimentar, alertando que a persistência do El Niño até ao final de 2026 e início de 2027 poderá reduzir as chuvas, agravar as perdas agrícolas e aumentar os preços dos alimentos.

Segundo o documento, Moçambique é o quinto país da África Austral com o maior número absoluto de pessoas em situação de insegurança alimentar aguda, e as melhorias verificadas na atual campanha agrícola poderão ser temporárias caso se confirmem os cenários climáticos previstos para o final de 2026 e início de 2027.

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