O presidente da autarquia sintrense considerou que “o comportamento do Ministério da Saúde é deplorável” no encerramento da Unidade de Saúde Mental de Sintra, obrigando munícipes a recorrerem às urgências ou a Lisboa, disponibilizando-se a financiar a reabertura.
“O comportamento do Ministério da Saúde é deplorável, sem nenhum problema em usar esta palavra. O encerramento não foi determinado na transição de executivo, mas não é aceitável que não haja uma solução”, afirmou Marco Almeida (PSD), em reunião pública do executivo.
O social-democrata, que falava em resposta ao vereador Eduardo Quinta Nova (PS) sobre o encerramento do Cintra - Centro Integrado de Tratamento e Reabilitação em Ambulatório em Sintra, acrescentou que, juntamente com a vereadora Andreia Bernardo (PSD), já deu conta à ministra da Saúde “da necessidade” de resolver “o problema”.
Questionada sobre esta posição, numa reunião do executivo, em julho, fonte oficial da autarquia disse hoje à Lusa que “a Câmara Municipal de Sintra está a tratar deste e outros assuntos com o Ministério da Saúde".
Na declarações que proferiu em julho, o presidente da autarquia notou que “não é pelo facto de a câmara ter vindo a reforçar os protocolos com as associações e com as IPSS [instituições particulares de solidariedade social] que prestam serviço” na “área da saúde mental”, que se vai “conseguir resolver o problema”.
Para Marco Almeida, existe um “jogo do empurra do Ministério da Saúde para o Hospital de Cascais, porque era essa a solução que tinha sido encontrada”, mas a unidade disse “que precisa do reforço de verba”, pelo que o autarca instruiu a vereadora da Saúde para dizer ao Ministério que o município paga.
“Nós pagamos”, salientou.
O autarca disse ainda que comunicou à ministra Ana Paula Martins que não vai “ficar de braços cruzados”, pois o município “teve para com o Ministério da Saúde gestos de grande solidariedade, como foi a construção do hospital, independentemente do seu funcionamento” e do investimento em vários centros de saúde.
O Hospital de Sintra, apenas com urgência básica, em articulação com o Hospital Fernando Fonseca (Amadora-Sintra), representou um investimento municipal de cerca de 64 milhões de euros na construção e de 17 milhões em equipamentos e mobiliário.
“Não é aceitável que [seja] o retorno que nós tenhamos do Ministério da Saúde e da senhora ministra”, lamentou Marco Almeida, assegurando que o assunto já foi abordado várias vezes e “o jogo do empurra” vai “ter que terminar”.
Na reunião do executivo, o vereador Eduardo Quinta Nova questionou os prejuízos que “resultam diariamente para as famílias e para os utentes” que, sete meses depois do fecho do Cintra, “continuam a ter que se deslocar ao Hospital Júlio de Matos para ter acesso” a um serviço “fundamental e que deveria ser de proximidade”.
O socialista recordou que, em janeiro, o executivo aprovou por unanimidade a moção “Pela Promoção da Saúde Mental”, a “exigir ao Governo a adoção de medidas que permitam reverter o encerramento da Unidade de Saúde Mental de Sintra”, na Rua Alfredo Costa.
“O ‘feedback’ que temos de facto é que o número de pessoas que vinham sendo acompanhadas diminuiu, em virtude de terem que se deslocar para Lisboa", referiu, reiterando "o repúdio por esta decisão”.
O Cintra tinha a responsabilidade pelos cuidados de saúde mental e psiquiatria à população adulta nas freguesias de Agualva-Mira Sintra, Algueirão-Mem Martins, Almargem do Bispo, Cacem-São Marcos, Colares, Pêro Pinheiro, Montelavar, Rio de Mouro, São João das Lampas, Terrugem e Sintra.