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Nações Unidas apoiaram 516 mil moçambicanos afetados pelas cheias até junho

LUSA
05-08-2026 07:25h

Mais de 516 mil pessoas afetadas pelas cheias que atingiram o sul e centro de Moçambique desde dezembro receberam assistência humanitária até ao final de junho, mas a resposta continua condicionada pela escassez de financiamento, segundo as Nações Unidas.

"Em meados de dezembro, inundações severas e prolongadas afetaram grandes partes do sul e do centro de Moçambique. Os rios transbordaram, deslocando comunidades e danificando ou destruindo casas, instalações de saúde, sistemas de água e outras infraestruturas críticas", refere o mais recente relatório do Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

De acordo com aquela agência das Nações Unidas, as inundações afetaram mais de 724 mil pessoas em várias províncias do país e no auge da emergência, mais de 100 mil pessoas procuraram abrigo em cerca de uma centena de centros de acomodação temporária criados para acolher famílias desalojadas.

Segundo o OCHA, a assistência humanitária alcançou aproximadamente 516 mil pessoas, sendo os setores da segurança alimentar, água e saneamento os que registaram maior cobertura. A ajuda alimentar chegou a 377 mil pessoas, enquanto os programas de água, saneamento e higiene beneficiaram cerca de 284 mil e os projetos de abrigo e distribuição de bens essenciais apoiaram 144 mil pessoas.

A organização humanitária refere ainda que as Nações Unidas e os seus parceiros têm trabalhado em coordenação com as autoridades moçambicanas para apoiar as populações afetadas e reforçar os mecanismos nacionais de resposta a desastres.

"Desde o início da emergência, as Nações Unidas e os parceiros humanitários têm trabalhado em estreita colaboração com as autoridades nacionais e locais para reforçar os sistemas nacionais, fortalecer os mecanismos de coordenação e apoiar a prestação de assistência vital", refere-se.

Apesar do apoio, o Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários alerta que a mobilização de recursos continua aquém das necessidades identificadas: Aponta ainda que a adenda sobre as cheias do Plano Nacional Humanitário de Resposta a Inundações de 2026 "solicita 187 milhões de dólares [162,2 milhões de euros] para fornecer assistência urgente e vital a aproximadamente 600.000 pessoas afetadas".

O OCHA continua a indicar que até ao final de junho tinham sido mobilizados apenas 36 milhões de dólares (31,2 milhões de euros), equivalente à cerca de 19% das necessidades financeiras identificadas, e os maiores défices de financiamento registam-se nos setores de segurança alimentar, saúde, educação e água e saneamento, considerados prioritários para a recuperação das comunidades afetadas.

A resposta no terreno envolve 55 organizações implementadoras, incluindo organismos governamentais, organizações não-governamentais nacionais e internacionais e agências das Nações Unidas, distribuídas por 38 distritos de oito províncias e entre as principais intervenções destaca-se a distribuição de alimentos, a instalação de sistemas temporários de abastecimento de água, a distribuição de ‘kits’ de higiene e de abrigo, bem como a prestação de cuidados básicos de saúde e serviços de gestão dos centros de reassentamento.

As cheias de 2026 figuram entre as emergências humanitárias mais significativas registadas este ano em Moçambique, com as autoridades e parceiros internacionais a alertarem que muitas famílias continuam a necessitar de apoio para recuperar os seus meios de subsistência e reconstruir as habitações destruídas.

A última época das chuvas (outubro a abril) em Moçambique matou 314 pessoas, afetou mais de 1.078 milhões de pessoas e atingiu quase 260 mil casas, segundo atualização anterior do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD). Só as cheias de janeiro, as mais violentas em vários anos, provocaram 43 mortos, 147 feridos e nove desaparecidos.

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