Dirigentes do setor do socorro aplaudiram hoje a criação do primeiro curso de ensino superior para Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (TEPH), que colocará Portugal mais perto dos padrões internacionais, corrigindo problemas estruturais desta carreira.
“Este diploma vem resolver problemas estruturais que estavam identificados na carreira TEPH. Primeiro naquilo que diz respeito à formação. Segundo a comparação profissional dos TEPH a nível europeu. Estamos a falar de um ensino ainda pré-licenciatura, mas que tem paralelo já em outros países europeus”, destacou o presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), Luís Mendes Cabral, em entrevista à agência Lusa.
Também o presidente da Associação Portuguesa da Emergência Pré-Hospitalar (APEPH), Nelson Batista, destacou a importância deste curso para o futuro desta área em Portugal.
“Temos 20 e tal anos de estagnação na formação dos técnicos de emergência. Isto é o desbloquear do processo e criar algo que nos coloca no mesmo patamar que outros países da Europa. Temos vindo a reclamar por formação seguindo os ‘standards’ internacionais. O INEM tem sido uma fonte de bloqueio, mas com esta direção e esta ministra conseguiu-se chegar a um consenso e vamos finalmente avançar”, considerou Nelson Batista.
A Escola Superior de Saúde de Lisboa (ESSL) vai abrir no ano letivo de 2027/2028, o primeiro curso de ensino superior em Portugal para TEPH, foi hoje anunciado.
O novo Curso Técnico Superior Profissional (CTeSP) na área da Emergência Pré-Hospitalar é fruto de um protocolo entre a ESSL, o INEM e a APEPH.
“À semelhança daquilo que acontece com os médicos e com os enfermeiros, a expectativa é que possamos contratar profissionais já devidamente encartados, incluídos numa profissão, através de um regulamento de exercício profissional”, disse Luís Mendes Cabral.
Para o responsável, este curso comprova a intenção do conselho diretivo do INEM de continuidade e afirmação da profissão de técnicos de emergência pré-hospitalar.
“Nós estamos efetivamente a dar passos que não foram dados nos últimos anos, a dar passos mais concretos daqueles que foram dados nos últimos anos”, disse.
A opinião é partilhada pelo presidente da APEPH, que vê o modelo atual, antes deste novo curso, como “uma casa começada pelo telhado” e critica o facto de esta ser “a única profissão em que contratavam pessoas e formavam as pessoas”.
“Não faz sentido. Em todas as profissões contratam-se pessoas já formadas. Isto criou a situação atual de carência de técnicos. Não podemos ter uma carreira fechada unicamente no INEM”, vincou.
Para Nelson Batista, “não é só este CTeSP que vai fazer a diferença”, mas sim a revisão da formação nesta área que a criação do curso está a desencadear.
“Temos de estar a par dos ‘standards’ internacionais. Há dois ou três níveis, sendo o nível mais avançado aquilo que as pessoas dizem paramédico. Estamos a trabalhar na reformulação de todo este sistema. Portugal está com 30 anos de atraso. Todos evoluíram e nós estagnámos. Houve uma filosofia de estagnação, principalmente nos últimos 20, que não permitiu o desenvolvimento desta atividade”, criticou.
Luís Mendes Cabral também considera que fazer desta uma profissão com formação de ensino superior “é a forma mais correta e mais direta de atingir os objetivos do país”.
Nelson Batista confessou à Lusa outra ambição: “Já temos contactos de outros sítios com interesse. A ideia não é ter um CTeSP fechado em Lisboa. É bom que se entenda. A ideia é que os politécnicos que tenham escolas de saúde implementem o curso para que possamos dar uma resposta nacional”, referiu.
Será um curso de formação superior de nível 5 do Quadro Nacional de Qualificações que deverá ter a duração de dois anos (quatro semestres) com formação geral e científica, técnica, prática e um estágio em contexto de trabalho, não conferindo grau académico, mas com acesso a licenciaturas.