O diretor executivo do SNS reconheceu hoje que têm existido alguns constrangimentos nas urgências regionais de Obstetrícia e Ginecologia da Península de Setúbal e de Loures, mas assegurou que estas nunca encerraram e têm mantido a capacidade de resposta.
"Historicamente, nós sabemos que há períodos de picos de procura que, se coincidirem com períodos em que há escassez de recursos humanos, nomeadamente médicos, geram constrangimentos nas urgências. Sempre tivemos esses constrangimentos", afirmou Álvaro Almeida, à margem da "Conferência Global da OMS sobre IA: Moldar a IA na área da Saúde”, que está a decorrer em Lisboa.
O diretor executivo respondia desta forma aos relatos de alguns constrangimentos verificados nos últimos dias que, segundo o jornal Observador, se devem no caso do Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, à falta de vagas no bloco de partos, que tem apenas cinco camas, e no caso do Hospital Garcia de Orta, em Almada, à falta de médicos obstetras.
Segundo o responsável, a criação das urgências regionais permitiu reduzir esses constrangimentos, “mas não necessariamente evitá-los, porque o problema de fundo, que é a escassez de recursos humanos, subsiste”.
Destacou, contundo, que, desde a sua criação, as urgências regionais se mantiveram sempre em funcionamento, “contrariamente ao que se passava com as urgências dos hospitais que as compuseram, que frequentemente estavam encerradas”.
"Não só nunca estiveram encerradas, como houve um aumento significativo na atividade, o que demonstra que os utentes passaram a ter mais confiança nas urgências. O Hospital de Almada mais do que duplicou a sua atividade desde que se constituiu a urgência regional”, realçou.
Apesar disso, reiterou que podem continuar a existir dificuldades pontuais.
"Não significa que não possam existir pontualmente constrangimentos, como têm existido, mas aquilo que nós sabemos é que a criação das urgências regionais reforçou a nossa capacidade de resposta e permitiu manter sempre operacional essa resposta, quer em Almada, quer em Setúbal, quer em Loures".
Questionado sobre a forma de reforçar a resiliência destes serviços, evitando situações de condicionamento na admissão de grávidas, explicou que a concentração das urgências permite reunir equipas de várias unidades hospitalares numa única urgência.
“Dessa forma conseguimos um reforço porque uma urgência que só tinha os médicos de uma unidade passou a ter os médicos de mais do que uma unidade, enfermeiros e todos os profissionais de saúde necessários para assegurar o funcionamento das urgências", afirmou.
Questionado sobre a criação de novas urgências regionais, Álvaro Almeida disse que a rede de urgência e emergência está a ser revista, e na sequência dessa revisão, "poderá haver uma alteração, que pode ser mais ou menos profunda” e poderá implicar algumas concentrações, mas é um processo que ainda está em curso."
Confrontado com a possibilidade de essas alterações avançarem ainda este ano, respondeu apenas: "Poderá haver algumas ainda este ano, sim".
Sobre o funcionamento das urgências gerais durante o verão, Álvaro Almeida reconheceu que genericamente, esta é uma altura complicada para as urgências devido às férias dos profissionais.
“Esses problemas não vão acabar porque os profissionais continuam a ter férias. Continuamos a ter uma escassez estrutural de recursos humanos e, portanto, os problemas não vão desaparecer de um dia para o outro”, vincou.
Mas, acrescentou, “aquilo que estamos a conseguir, aconteceu, por exemplo, num período particularmente difícil, como foi o mês de junho, porque tem uma sucessão de feriados - e esperamos e estamos convictos que acontecerá também em agosto - é reduzir o impacto dessas dificuldades, desses constrangimentos, que existem sempre, mas têm-se manifestado na capacidade de resposta do sistema de forma menos intensa do que tinha acontecido em anos anteriores"