Os encargos do Estado com a diálise rondaram os 271 milhões de euros em 2025, mais 3% do que em 2024, mantendo-se como a área convencionada com maior peso na despesa pública, com 27% do total.
De acordo com a monitorização da ERS sobre o setor convencionado de hemodiálise, hoje divulgada, o aumento dos encargos resultou da atualização do preço compreensivo por doente e por semana.
"Tal como nos dois anos anteriores, em 2025, a diálise manteve-se como a área de convenção com maior volume de encargos, representando 27% da despesa total do Estado com o setor convencionado, seguida pela área das análises clínicas, com 26,1%", refere o relatório.
Apesar do aumento da despesa, o peso relativo da diálise na despesa com convenções diminuiu 0,8 pontos percentuais face a 2024.
A ERS refere ainda que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) assegurou 98,7% do financiamento dos tratamentos de hemodiálise, quer diretamente, através dos cuidados prestados nos hospitais públicos, quer indiretamente, por intermédio dos prestadores convencionados.
No final de 2025, encontravam-se inscritos na Plataforma de Gestão Integrada da Doença (PGID) 12.836 utentes em tratamento de hemodiálise.
Destes, 1.115 (8,7%) realizavam os tratamentos em unidades hospitalares públicas, enquanto 11.719 (91,3%) eram tratados em 106 unidades dos setores privado e social.
Em dezembro de 2025 existiam 106 unidades prestadoras de cuidados de hemodiálise dos setores privado e social, o mesmo número registado no ano anterior, distribuídas por 16 operadores, mais um do que em 2024.
As áreas metropolitanas do Porto e da Grande Lisboa continuaram a concentrar o maior número de unidades, enquanto o Alto Tâmega e Barroso permaneceu sem unidades não públicas, sendo o acesso aos cuidados assegurado pelo setor público.
Segundo a ERS, a estrutura do mercado da hemodiálise em Portugal continental continua a apresentar elevados níveis de concentração, tanto a nível nacional como regional, encontrando-se dentro do intervalo que, de acordo com as orientações da Comissão Europeia, suscita preocupações concorrenciais.
A nível regional, três das 24 NUTS III — Alentejo Litoral, Baixo Alentejo e Beira Baixa — registam um índice de concentração superior a 9.000 pontos, refletindo mercados muito concentrados e próximos de situações de monopólio.
O regulador destaca ainda os casos do Baixo Alentejo e da Beira Baixa, onde predominam situações de monopólio ou duopólio dos dois maiores grupos empresariais, tendo o indicador de concentração agravado no Baixo Alentejo face a 2024.
No conjunto do país, os dois maiores grupos empresariais detinham, no final de 2025, uma participação de mercado de 71,7%, menos 0,8 pontos percentuais do que no ano anterior, embora a quota do maior grupo tenha aumentado ligeiramente.
No que respeita ao acesso aos cuidados, o tempo médio de deslocação dos utentes até à unidade de diálise manteve-se nos 17 minutos.
A proporção de utentes que realizavam tratamento na unidade mais próxima da residência diminuiu de 69,9%, em 2024, para 64% em 2025.
Face aos resultados da monitorização, a ERS afirma que continuará a acompanhar regularmente a prestação de cuidados de hemodiálise, em particular no que respeita ao financiamento, ao acesso e à concorrência.