O Brasil manifestou hoje total disponibilidade para apoiar Moçambique na criação do primeiro Instituto Nacional de Prevenção, Diagnóstico e Tratamento do Cancro, visando melhorar a abordagem do país contra a doença.
O anúncio foi feito após uma audiência entre o ministro da Saúde brasileiro, Alexandre Padilha, e o chefe do Estado moçambicano, Daniel Chapo, em Maputo, na qual foram avaliados os avanços da cooperação bilateral e definidas novas áreas de parceria nos setores da saúde, formação profissional, produção de medicamentos e desenvolvimento tecnológico.
"Apoiaremos Moçambique a construir o seu primeiro instituto nacional de prevenção, diagnóstico e tratamento ao cancro. Tem toda a disposição do Ministério da Saúde do Brasil, já tem uma missão técnica de Moçambique visitando o Brasil em relação a isso", disse Alexandre Padilha.
Segundo o ministro brasileiro, o apoio integra um conjunto de iniciativas destinadas a reforçar o sistema de saúde moçambicano, incluindo a formação de profissionais, a expansão dos bancos de leite humano, o desenvolvimento da saúde digital e o fortalecimento da produção de medicamentos e vacinas.
Padilha afirmou ainda que o Brasil considera Moçambique um país com condições para se tornar um centro regional de produção farmacêutica, devido à sua dimensão territorial e posição estratégica no continente africano.
"Temos uma avaliação que Moçambique tem um grande potencial para produção de medicamentos e vacinas aqui em território de Moçambique (...) mas também pela posição geográfica, o que permite que Moçambique possa ser um polo regional dentro do continente africano", disse o responsável.
Durante o encontro, o governante reiterou igualmente o convite do Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, para que Daniel Chapo realize uma visita oficial ao Brasil, com vista a aprofundar a cooperação iniciada durante a deslocação de Lula a Moçambique, em novembro de 2025, nas áreas da saúde, agricultura, energia, petróleo e gás e produção de alimentos.
A cooperação envolve ainda a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que continuará a apoiar a Escola de Saúde Pública de Moçambique, bem como a parceria entre as autoridades reguladoras de medicamentos dos dois países para reforçar a troca de informação e o reconhecimento mútuo de procedimentos técnicos.
"Saio daqui dessa visita a Moçambique com o compromisso renovado do governo brasileiro de apoiar os nossos irmãos de Moçambique, os nossos parceiros institucionais, na ampliação da capacidade produtiva de medicamentos, vacinas, tecnologias de saúde aqui", afirmou Alexandre Padilha.
O ministro acrescentou que representantes do Governo moçambicano deverão participar na Conferência Internacional sobre Sida, marcada para o final de julho, no Rio de Janeiro, reforçando a cooperação bilateral na área da saúde pública.