Dezenas de trabalhadores de um centro de tratamento do Ébola no nordeste da República Democrática do Congo (RDCongo) entraram hoje em greve devido a salários e bónus em atraso.
O pessoal em greve no Hospital Geral de Rwampara, na província de Ituri, inclui epidemiologistas, investigadores, motoristas e coveiros, que afirmam não terem sido pagos pelas autoridades congolesas.
O hospital foi encerrado pelo pessoal em protesto, que bloqueou a estrada que conduz às instalações médicas.
Alguns dos profissionais de saúde do centro e aqueles que trabalham no terreno iniciaram a greve na semana passada, acusando as autoridades de não lhes terem pagado os salários desde o início do surto, em maio.
As autoridades congolesas indicaram que a epidemia do vírus Ébola registou, até ao momento, 1.926 casos confirmados, com 702 mortes. Além disso, referiram que há 753 doentes em isolamento, enquanto 318 pessoas recuperaram da doença e receberam alta.
Oficialmente declarada em 15 de maio em Ituri, província fronteiriça com o Uganda e o Sudão do Sul, a epidemia alastrou-se igualmente ao Uganda, onde foram confirmados 20 casos, 15 dos quais importados da RDCongo, entre os quais se contam duas mortes.
A epidemia está associada à estirpe de Bundibugyo, cuja taxa de letalidade oscila entre os 30% e os 50% e para a qual não existe vacina autorizada nem tratamento específico, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), que considera "elevado" o risco de propagação do surto na África subsaariana e "baixo" à escala global.
A OMS estima que o vírus tenha começado a circular em Ituri cerca de dois meses antes da declaração do surto e classificou a epidemia, no passado dia 17 de maio, como uma "emergência de saúde pública de importância internacional".
Trata-se da terceira pior epidemia de Ébola da história registada até à data e é a 17.ª a afetar a RDCongo.
A epidemia atual fica apenas atrás da que assolou a África Ocidental entre 2014 e 2016, que causou cerca de 11 mil mortes e 28 mil casos, e de outra que afetou o leste do Congo entre 2018 e 2020 e que causou 2.299 mortes e 3.481 casos.
O vírus transmite-se por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragias internas.
Os protocolos da Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelecem que a epidemia do Ébola pode ser considerada encerrada se não forem detetados novos casos durante 42 dias consecutivos, o dobro do período de incubação do vírus.