A primeira-ministra moçambicana, Benvinda Levi, afirmou hoje que a criação da primeira Escola de Saúde Pública do país representa um novo paradigma na formação do setor, reforçando a resposta aos desafios sanitários em África e na CPLP.
“Com esta escola, abrimos um novo paradigma na formação em saúde pública no nosso país. Queremos que os profissionais desta área dominem as mais avançadas soluções de saúde digital, mas que mantenham sempre no centro a pessoa, a comunidade e o interesse público”, disse Maria Benvinda Levi, durante o lançamento da escola, em Maputo, a primeira do género em Moçambique.
Segundo a governante, a instituição de ensino foi selecionada pelo Centro Africano de Prevenção e Controlo de Doenças para futuro centro de excelência para a formação de profissionais em Saúde Pública ao nível dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), além da aposta na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), considerando que esse reconhecimento aumenta a responsabilidade de assegurar uma formação de “qualidade, relevante e aberta à cooperação regional”.
“Esta escola contribuirá também para o fortalecimento dos sistemas de saúde dos países irmãos africanos de língua portuguesa. Ao partilharmos experiências, competências e boas práticas, poderemos responder melhor aos desafios que ultrapassam as nossas fronteiras”, reiterou.
A escola foi erguida com o apoio técnico do Governo do Brasil, através da Fundação Oswaldo Cruz, com a primeira-ministra a destacar que o apoio materializa o compromisso assumido durante a visita a Moçambique do Presidente do Brasil, Lula da Silva, em novembro de 2025.
“Com a criação desta Escola, damos um passo importante rumo à nossa visão partilhada de construir uma Escola de Saúde Pública no espaço da CPLP. É uma visão que une saberes, instituições e povos em torno da proteção da vida e do bem-estar das nossas populações”, frisou.
A primeira-ministra referiu que o país vive transformações epidemiológicas e demográficas com um impacto profundo no Sistema Nacional de Saúde (SNS), que exigem maior capacidade de previsão, planeamento e resposta, além de profissionais preparados para compreender realidades “complexas e agir com rigor, rapidez e sensibilidade social”.
A instituição irá também administrar formação de “importância estratégica” para o SNS, incluindo formação em Clima e Saúde, Economia da Saúde e Saúde Digital, bem como mestrados e doutoramentos em Sistemas de Saúde e em Ciências e Educação Profissional em Saúde, usando metodologias e ferramentas de ensino e aprendizagem modernas e dispondo de laboratórios e equipamentos digitais que permitem a realização de formação na modalidade virtual.
“Neste contexto, a escola afirmar-se-á como um espaço de diálogo científico e de cooperação regional e internacional. Fortalecerá o papel de Moçambique na produção de conhecimento em saúde pública e na resposta aos desafios comuns que afetam o continente africano”, acrescentou.
Já o ministro da Saúde do Brasil, Alexandre Padilha, afirmou, na cerimónia, que esta parceria vai permitir o apoio bilateral na formação de profissionais de saúde, com partilha de professores e investigadores, prevendo ainda programas conjuntos para melhorar o trabalho e a atuação dos profissionais de saúde do país africano, bem como aprender com a sua experiência para melhorar a atuação brasileira na saúde pública.
“Além disso, essa escola é um primeiro passo para termos uma formação multinacional dos países de língua portuguesa. A partir dessa escola de Moçambique podemos ter a base para juntar a experiência da escola de Lisboa, em Portugal, a experiência da Escola Nacional de Saúde Pública do Brasil, a vinda de profissionais, professores de outros países do continente africano que falam a língua portuguesa”, acrescentou.