Enfermeiros da Unidade Local de Saúde (ULS) Estuário do Tejo entregaram hoje um abaixo-assinado, de mais de 200 profissionais, exigindo a contagem de todo o tempo de serviço e mais enfermeiros para o Hospital de Vila Franca de Xira.
“Entregámos o abaixo-assinado com cerca de 216 assinaturas e foi um momento importante para marcar aqui a continuidade do processo de luta, que já dura há uns anos, porque o conselho de administração e o Governo, principalmente o Governo que é o principal responsável disto, continua sem contar o tempo de serviço aos enfermeiros daquele hospital”, afirmou Marco Aniceto.
O dirigente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), em declarações à Lusa, explicou que “existem problemas pontuais e esporádicos em outros hospitais”, mas “o maior grupo de enfermeiros que ainda não tem nenhum ponto contabilizado para trás e que é a única ex-PPP [parceria público-privada] nesta situação” é do Hospital Vila Franca de Xira.
“A recusa do conselho de administração e dos sucessivos governos em contabilizar os pontos para efeitos de progressão de todos os anos trabalhados aos enfermeiros provocou um sentimento de desvalorização e de injustiça, levando a que muitos dos nossos colegas abandonassem a instituição”, refere-se numa nota do SEP.
Uma situação que a estrutura sindical considera “inadmissível”, tanto mais “após a ULS Loures-Odivelas proceder à contagem de pontos para efeitos de progressão aos enfermeiros CIT [contrato individual de trabalho] do Hospital de Loures”.
“Na ULS Estuário do Tejo os cuidados de saúde da generalidade dos serviços são assegurados à custa do recurso às horas extraordinárias, à redução de elementos por turno, a elevados ritmos de trabalho e a horários violentos que comprometem a segurança dos cuidados e provocam a sobrecarga das equipas”, aponta-se.
Segundo Marco Aniceto, “a região de Lisboa e Vale do Tejo é uma região bastante afetada pela carência de enfermeiros e o Hospital de Vila Franca não é exceção”.
“Esta série de medidas que o Governo e os conselhos de administração não têm resolvido tem feito com que haja mais saída de enfermeiros e, portanto, um aumento do número de horas extraordinárias programadas todos os meses, uma redução do número de enfermeiros por turno, que faz com que cada enfermeiro tenha mais doentes ao seu cuidado”, salientou.
Para o sindicalista, esta situação aumenta “a responsabilidade e o desgaste psicológico e físico” em cada turno, em que “a carência de enfermeiros é gritante” e, por isso, exigem a adoção de “medidas necessárias para contratar e fixar mais enfermeiros”.
Além da contratação de mais profissionais, os enfermeiros reclamam “a contagem integral de todos os pontos para efeitos de progressão e o pagamento dos devidos retroativos” e “o pagamento de todas as horas extraordinárias trabalhadas”.
“O problema do trabalho extraordinário não pago é que agora o conselho de administração decidiu impingir bolsas de horas aos enfermeiros”, o que “significa que estas horas trabalhadas a mais, não são pagas, vão para uma bolsa fictícia que supostamente os enfermeiros gozam futuramente”, avançou.
Mas o sindicalista questionou: “Como é que os serviços podem dar horas a gozar aos enfermeiros quando existe uma carência tão grande desses enfermeiros?”
Para agravar o problema, acrescentou, “as horas extraordinárias que o conselho de administração paga, além dessas da bolsa de horas, são escolhidas pela própria administração, escolhendo os turnos que são menos bem pagos”.
Em relação à concentração da urgência de obstetrícia e ginecologia em Loures, Aniceto manifestou preocupação por ser “um serviço essencial para ser prestado à população” abrangida pela ULS e pelo hospital de Vila Franca e se ”vê as portas fechadas de acesso a essa urgência”.
Apontando os exemplos da obstetrícia nos hospitais de Dona Estefânia, em Lisboa, e do Barreiro, o dirigente do SEP considerou que “há um programa de encerramento de serviços” e que a “dita reforma do Estado não vem escancarada”, mas vai “paulatinamente fazendo” o “ataque ao Serviço Nacional de Saúde”.