O Prémio MSD | Maria José Nogueira Pinto distinguiu este ano um projeto de habitação colaborativa para acolher crianças doentes e seus familiares ou cuidadores que não possam permanecer na sua residência durante tratamentos médicos, adiantou hoje a organização.
O projeto ‘Pedrinhas Natur’, da Pedrinhas – Cooperativa de Solidariedade Social e Cultural, venceu o prémio de 15 mil euros da 14.ª edição do Prémio MSD | Maria José Nogueira Pinto em Responsabilidade Social.
Segundo o comunicado da MSD, a farmacêutica promotora do prémio, “o ‘Pedrinhas Natur’ surge para responder à escassez de soluções de alojamento provisório para famílias que, devido a doença prolongada, deslocação geográfica ou necessidade de adaptação do domicílio, não podem permanecer na sua residência habitual”.
“Para além do alojamento, o projeto incentiva a convivência entre famílias que vivem situações semelhantes, estimulando a entreajuda, a partilha de experiências e o fortalecimento de redes de apoio”.
O projeto vencedor prevê a criação de um polo residencial de “10 moradias unifamiliares acessíveis, com espaços comuns e amplas áreas naturais na Serra da Lousã, promovendo um ambiente seguro, humanizado e em estreita ligação com a natureza”.
Segundo o comunicado, o projeto foi desenvolvido em articulação com o Hospital Pediátrico de Coimbra e encontra-se atualmente em fase de construção, com financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), e “beneficiará de apoios complementares que permitam acelerar a sua concretização”.
A 14.ª edição do prémio atribuiu ainda duas menções honrosas, premiadas com 2.500 euros cada, aos projetos “Avós e Netos no Jardim das Oliveiras”, da Fundação Nossa Senhora da Esperança, e “Payback School”, da Associação Juvenil Transformers.
A primeira menção honrosa é um projeto no Museu da Tiflologia, em Castelo de Vide, que pretende aproximar gerações e mitigar a reduzida participação cultural de pessoas cegas ou com baixa visão e reduzir a exclusão no uso de tecnologias.
“Ao longo de 18 meses, pessoas idosas, crianças, pessoas cegas e com baixa visão e comunidade local participam em atividades orientadas ligadas à memória, ao património, à natureza e à mediação digital acessível, produzindo coletivamente conteúdos sonoros, pequenas narrativas e conversas ligadas ao jardim, às memórias e ao território”, lê-se no comunicado.
“A dinâmica intergeracional é central: as crianças apoiam os mais velhos no uso de ferramentas digitais simples; as pessoas idosas contribuem com memória, experiência e saberes; e as pessoas cegas e com baixa visão enriquecem o processo com outras formas de perceção, escuta e relação com o espaço. As 37 oliveiras do Jardim funcionam como fio condutor do percurso, trazendo continuidade, pertença, cuidado e transmissão”, explica-se ainda sobre o projeto.
A Fundação Nossa Senhora da Esperança pretende ainda integrar o projeto na sua programação regular.
A segunda menção honrosa distingue um projeto dirigido a 60 jovens entre os 12 e os 20 anos, residentes em casas de acolhimento ou bairros sociais da área metropolitana do Porto, que ao longo de um ano pretende agrupá-los em cinco turmas, de acordo com os seus talentos – entre culinária, arte, desporto, ou outros – acompanhados semanalmente por mentores voluntários.
“O programa assenta no princípio de que cada jovem tem potencial para transformar a sua vida e a comunidade”, segundo o comunicado.
A organização do prémio analisou dezenas de candidaturas de projetos desenvolvidos em todo o país por entidades privadas sem fins lucrativos.
O prémio, cujo júri foi presidido pela ex-ministra da Saúde Maria de Belém Roseira e integrou personalidades como a ex-diretora-geral de Saúde Graça Freitas, Jaime Nogueira Pinto, politólogo, historiador e marido de Maria José Nogueira Pinto, pretende distinguir “projetos inovadores que tenham como objetivo fazer a diferença na vida das pessoas”.
Maria José Nogueira Pinto foi deputada do CDS-PP, candidata à liderança do partido numa disputa que perdeu para Paulo Portas, candidata à Câmara Municipal de Lisboa, tendo sido eleita vereadora e assumido o pelouro da habitação social no mandato de Carmona Rodrigues.
Foi ainda provedora da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, entre 2002 e 2005.
Depois de sair do CDS-PP em 2007, Maria José Nogueira Pinto havia de regressar à política ativa nas listas do PSD, tendo sido eleita deputada em 2009 e novamente em 2011.