A Associação de Farmácias de Portugal (AFP) lançou hoje uma campanha de sensibilização para reforçar a confiança da população nos medicamentos genéricos, com a mensagem que são “uma alternativa segura, eficaz e acessível”.
Lançada no Dia Nacional do Medicamento Genérico, assinalado hoje, a campanha pretende promover “a literacia em saúde e contribuir para a desmistificação dos medicamentos genéricos, reforçando a confiança dos cidadãos nestas opções terapêuticas”, afirma a AFP em comunicado.
A associação salienta que, apesar de cumprirem os mesmos padrões de qualidade, segurança e eficácia dos medicamentos de referência, os medicamentos genéricos continuam a ser alvo de dúvidas e ideias erradas junto de parte da população.
Com a campanha, a AFP pretende esclarecer estas questões, incentivando os cidadãos a procurar informação credível e aconselhamento junto do farmacêutico.
A iniciativa materializa-se através da divulgação de conteúdos informativos nas redes sociais e plataformas digitais da AFP, bem como nas redes sociais das farmácias associadas aderentes, promovendo a proximidade e o diálogo com a comunidade.
Com esta ação, a AFP diz reforçar também o papel das farmácias comunitárias na promoção da utilização informada dos medicamentos e na capacitação dos cidadãos para tomarem decisões conscientes sobre a sua saúde.
A Associação Portuguesa de Medicamentos pela Equidade em Saúde (Equalmed) alertou hoje, citando dados do Infarmed, que a quota de mercado dos medicamentos genéricos diminuiu de 52,2% em 2024 para 50,5% em abril de 2026.
“Os valores registados em Portugal permanecem abaixo dos observados noutras realidades europeias onde estes fármacos representam mais de 80% do mercado ambulatório, como no Reino Unido, Alemanha e Países Baixos”, salienta a associação num comunicado a propósito dos 34 anos da comercialização dos medicamentos genéricos em Portugal.
A Equalmed realça “o trajeto favorável” destas soluções mais custo-efetivas no mercado nacional, mas alerta para a necessidade de garantir a sustentabilidade de medicamentos essenciais e defende uma revisão dos preços para não comprometer o acesso terapêutico no futuro.
A associação reforça que, além dos constrangimentos já existentes no contexto nacional, “a conjuntura internacional agravou de forma significativa as pressões sobre o setor, acentuando custos, reduzindo a previsibilidade e colocando em causa a sustentabilidade da cadeia de fabrico”.
Para a Equalmed, “a sustentabilidade dos medicamentos genéricos deixou de ser apenas uma questão económica e passou a ser um problema de segurança no abastecimento”.
Alerta ainda que “a pressão sobre os custos e a dependência das cadeias globais de fornecimento podem comprometer a disponibilidade de medicamentos essenciais de caráter crítico, em que a própria União Europeia tem reforçado várias políticas nesta área”.
Segundo a associação, estes fármacos atualmente apresentam preços baixos no contexto europeu, situação que em Portugal se agrava por ter os valores mais baixos, quando comparados com os países de referência, com diferenças de até 74%.