A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou hoje que vai realizar um ensaio clínico sobre dois tratamentos contra o vírus Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo) e que o mesmo deverá iniciar-se na próxima semana.
"Os preparativos já estão concluídos para um ensaio clínico que envolve dois tratamentos, o qual deverá ter início na RDCongo na próxima semana", declarou Tedros Adhanom Ghebreyesus, numa conferência de imprensa, precisando que se trata do anticorpo monoclonal MBP134 e do antiviral remdesivir.
Vasee Moorthy, do Departamento de Ciências da Saúde da OMS, acrescentou que este ensaio deverá envolver cerca de mil pessoas.
A epidemia, que afeta em menor grau o Uganda, envolve uma estirpe rara do vírus, conhecida como Bundibugyo, contra a qual não existe vacina nem tratamento específico.
Este ensaio clínico permitirá avaliar se estes dois tratamentos "podem contribuir para reduzir a mortalidade em doentes com a doença causada pelo vírus Bundibugyo, quando administrados isoladamente ou em associação", especificou o responsável da OMS.
"Agradecemos aos Estados Unidos e à Gilead Sciences pela doação de doses destinadas a este ensaio. Juntamente com os nossos parceiros, divulgaremos mais informações na próxima semana", acrescentou.
O diretor-geral da OMS indicou que a organização e os seus parceiros "trabalham em estreita colaboração com as comunidades afetadas, a fim de as informar sobre o ensaio clínico e de as envolver na sua implementação".
A OMS esforça-se "também por garantir o acesso" aos tratamentos que vão ser testados "para as populações locais, caso se revelem seguros e eficazes", afirmou.
Ghebreyesus especificou, ainda, que o ensaio será conduzido por "um consórcio de parceiros que inclui o Instituto Nacional de Investigação Biomédica da RDCongo, a ONG Alima, a Universidade de Oxford e a OMS".
De acordo com os últimos dados oficiais divulgados pela OMS, foram registados 1.094 casos na RDCongo, dos quais 277 mortes, o que corresponde a uma taxa de letalidade de 25%.
No entanto, muitos especialistas consideram provável que a dimensão da epidemia esteja subestimada, uma vez que esta atinge regiões muito remotas e assoladas pela violência de grupos armados.