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Ébola: Lacunas na vigilância e diagnóstico dificultam resposta a epidemia na RDCongo - MSF

Lusa
15-06-2026 11:36h

Um mês após a declaração da epidemia de Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo), a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) alerta para lacunas na vigilância, diagnóstico, rastreio de contactos e envolvimento comunitário, defendendo uma resposta proporcional ao acontecimento.

Para a coordenadora médica de emergência da MSF na RDCongo, Kate White, “um mês depois, a epidemia de Ébola está a superar os esforços de resposta”.

“Ninguém sabe a verdadeira dimensão ou exatamente onde a doença se está a espalhar na RDCongo. O que sabemos é que a maioria dos centros de tratamento na província de Ituri está sobrecarregada; muitos dos nossos doentes chegam numa fase avançada da doença e a maioria nunca foi identificada ou monitorizada como contacto antes de procurarem cuidados”, disse.

A doença está a espalhar-se pelas províncias de Ituri, Kivu do Norte e Kivu do Sul, no leste da RDCongo, com Ituri a registar quase 95% dos casos.

A resposta, liderada pelo Ministério da Saúde congolês e apoiada por vários parceiros internacionais, está a ser implementada nas zonas afetadas. Infelizmente, a insegurança dificulta o acesso a determinadas comunidades e, mesmo em áreas mais estáveis, os esforços para detetar casos, testar doentes, identificar contactos e monitorizar a transmissão são insuficientes, prossegue a MSF, em comunicado.

No vizinho Uganda, 19 casos confirmados foram também reportados pelas autoridades de saúde.

As autoridades de saúde congolesas reportaram oficialmente mais de 650 casos confirmados e mais de 130 mortes, números ultrapassados no domingo, quando foram registados num só dia 72 novos casos, elevando para 782 o número total, de que resultaram 181 mortes.

No entanto, a MSF alerta que estes números provavelmente representam apenas parte do panorama geral.

“Os testes continuam a ser uma das maiores fragilidades da resposta, apesar das recentes melhorias na capacidade laboratorial e da chegada de centenas de kits de teste móveis ao leste da RDCongo, concebidos especificamente para o vírus Bundibugyo”, afirma White.

Mas “muitas comunidades, especialmente as afetadas pela insegurança contínua, ainda têm acesso limitado a estes kits, enquanto os centros de tratamento continuam a enfrentar atrasos significativos na receção dos resultados laboratoriais”, prosseguiu.

“Sem testes mais rápidos e amplamente disponíveis, teremos dificuldades em detetar casos precocemente o suficiente para conter o surto”, afirmou a responsável.

Nas zonas onde a epidemia se está a alastrar, milhões de pessoas já vivem com décadas de conflito ativo, deslocações repetidas, lacunas crónicas na assistência médica e uma resposta humanitária limitada. Estas condições dificultam severamente os esforços de resposta e criam um ambiente no qual a doença se pode propagar mais facilmente, indica a organização.

Além do atendimento direto aos doentes, a MSF está também a enviar equipas para áreas mais remotas e inseguras para reforçar a capacidade de deteção e resposta onde foram reportados alertas.

“Esta epidemia ainda pode ser controlada, mas a janela de oportunidade está a fechar-se”, afirma Lai Manantsoa, ​​coordenador de emergência da MSF na RDCongo.

E prosseguiu: ​​​“O diagnóstico, a vigilância, o acesso aos cuidados e o envolvimento da comunidade devem ser reforçados com urgência. Exortamos as autoridades e todas as partes interessadas envolvidas na resposta a fazerem todo o possível para facilitar a movimentação de profissionais de saúde e de fornecimentos e permitir uma resposta que corresponda à escala desta crise”.

O mais recente surto de Ébola, depois classificado como epidemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS), é causado pelo raro vírus Bundibugyo, que não tem vacina ou tratamento aprovados, ao contrário do vírus Zaire, responsável pela maioria dos 16 surtos ou epidemias anteriores da doença no Congo.

Cinquenta e seis pessoas recuperaram e a taxa de mortalidade atual é de 23%, anunciou o Ministério da Saúde congolês.

“Continuamos empenhados em apoiar os países afetados até que a transmissão seja interrompida. Apelamos aos parceiros e doadores para mobilizarem recursos com urgência para fortalecer a resposta e salvar vidas”, afirmou a responsável dos Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças (Africa CDC), Jean Kaseya.

O vírus Ébola transmite-se por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragia interna.

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