A primeira-ministra moçambicana, Benvinda Levi, defendeu hoje novas soluções para a expansão e reforço dos serviços de saúde no país, face a crescentes desafios agravados pela redução de financiamento internacional e impactos das mudanças climáticas.
“O mundo vive momentos desafiantes no que concerne à saúde global, devido à redução do financiamento internacional, aliado aos impactos das mudanças climáticas, conflitos, emergências sanitárias e novas ameaças epidemiológicas”, reconheceu, em Maputo, a primeira-ministra, na abertura do Fórum sobre o Subsistema Comunitário de Saúde e Redução da Mortalidade Materna e Infantil em Moçambique.
“Este facto, desafia-nos a encontrarmos, em conjunto, governo, parceiros, sociedade civil, congregações religiosas, académicos, novos modelos e mecanismos de cooperação que permitam ao nosso país continuar a assegurar a expansão e o reforço do acesso aos serviços de saúde, independentemente do local onde cada moçambicano vive”, referiu Benvinda Levi.
O número de unidades de saúde em Moçambique voltou a crescer em 2024, atingindo 1.878, somando quase 150 novas infraestruturas em cinco anos, segundo o mais recente anuário do Instituto Nacional de Estatística (INE).
De acordo com o documento, com dados do período de 2020 a 2024, Moçambique fechou o último ano analisado com 15 hospitais centrais e provinciais, 58 hospitais distritais, rurais e gerais, 1.689 centros de saúde e 116 postos de saúde. O número de centros de saúde foi o que mais cresceu em 2024, com mais 30 unidades.
O fórum que decorre hoje reúne, entre outros, membros do Governo, representantes de organizações de saúde e academia, para refletirem sobre o fortalecimento da saúde comunitária e a aceleração das ações visando a redução da mortalidade materna, neonatal e infantil no país, no qual também foi lançada a Aliança Nacional para a Aceleração da Redução da Mortalidade Materna Neonatal e Infantil.
Segundo Benvida Levi, o documento prevê o reforço da coordenação entre todos os atores envolvidos na saúde da mulher, da criança e do adolescente, bem como construir consensos nacionais sustentáveis para orientar políticas públicas de saúde materno infantil.
“O desafio que temos não consiste apenas em ampliar serviços de saúde, mas em integrá-los, aproximá-los das comunidades. E torná-los mais eficazes. É na força da ligação entre a Comunidade e o sistema de saúde que reside na nossa capacidade de salvar mais vidas e garantir um futuro mais saudável para os cidadãos, em particular para as mulheres e crianças”, considerou.
A primeira-ministra reiterou que o Governo vai continuar a expandir a rede sanitária nacional, aumentar o número de profissionais de saúde, reforçar as consultas pré-natais, além de assegurar o parto seguro e assistido, ampliar o acesso aos serviços de saúde sexual e reprodutiva, e alargar a cobertura vacinal e a introduzir novas vacinas no calendário nacional.
A Aliança Global para as Vacinas (Gavi) vai apoiar a imunização em Moçambique com 275 milhões de dólares (239 milhões de euros) até 2030, anunciou a diretora-executiva da organização, Sania Nashtar, após encontro com o Presidente moçambicano, Daniel Chapo.
Anunciou também a introdução, neste ano, da vacina contra a hepatite B à nascença em Moçambique, reiterando o compromisso da instituição em apoiar todas as vacinas do programa de saúde moçambicano, e destacando os “excelentes resultados” do país na cobertura da vacinação de rotina.
Na quarta-feira, a diretora-executiva da Gavi garantiu a continuidade do financiamento da vacinação contra 12 doenças em Moçambique nos próximos cinco anos, apesar das restrições globais de financiamento ao setor da saúde, abrangendo vacinas contra doenças como sarampo, pneumonia, rotavírus e tuberculose.