As autoridades libanesas acusaram Israel de ter efetuado hoje um ataque próximo de um hospital na cidade de Tiro, no sul do Líbano, que provocou vários feridos e danificou o edifício.
Segundo a Agência Nacional de Informação (ANI) e o Ministério da Saúde libanês, o ataque atingiu um cruzamento próximo do Hospital Jabal Amel, “afetando um edifício e um parque de estacionamento e provocando vários feridos”.
O Ministério da Saúde libanês divulgou vídeos que mostram danos no interior de uma unidade hospitalar, com o chão coberto de escombros e manchas de sangue, bem como tetos destruídos pela explosão.
O Presidente libanês voltou hoje a defender as negociações com Israel como a única “opção” para ultrapassar o conflito, apesar de, horas antes, Telavive ter aprovado a retoma dos ataques contra os subúrbios do sul de Beirute.
“As negociações são mais seguras do que a guerra, uma vez que testemunhámos e continuamos a testemunhar os horrores e as consequências do conflito. No entanto, não vão resolver os problemas de forma imediata. Trata-se de um processo que exige tempo e não temos outra opção”, afirmou Joseph Aoun perante representantes do setor privado libanês.
A nova ronda de diálogo direto está prevista para terça-feira, em Washington, no âmbito de conversações às quais o movimento xiita libanês Hezbollah se opõe e que prosseguem enquanto o cessar-fogo em vigor desde meados de abril continua a ser violado de forma cada vez mais violenta.
Hoje de manhã, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ordenou às forças israelitas que atacassem alvos na zona periférica de Dahye, nos arredores de Beirute, que desde a entrada em vigor da trégua tinha permanecido, na sua maioria, à margem dos confrontos, concentrados sobretudo no sul do Líbano e, em menor escala, no leste do país.
Apesar do anúncio por parte de Israel, Aoun considerou que as negociações continuam a representar a solução para a guerra com menos potenciais “danos” e assegurou que o processo está a “avançar”, reafirmando a confiança nas conversações, mesmo que os resultados demorem a surgir.
As negociações, as primeiras realizadas de forma direta em várias décadas, conduziram a uma trégua que, na prática, tem sido prolongada até ao início de julho e que abriu caminho à discussão de soluções mais pormenorizadas, sem que, até ao momento, tenham sido anunciados progressos significativos.
Entretanto, em Washington, os Estados Unidos propuseram um plano a Israel e ao Líbano para uma “desescalada gradual” do conflito, que ameaça as negociações de paz entre os dois países, disseram hoje fontes norte-americanas à agência de notícias espanhola EFE.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, falou por telefone no domingo quer com Aoun quer com Netanyahu confirmaram hoje as fontes à EFE.
Para que as negociações patrocinadas pela diplomacia de Washington continuem, os Estados Unidos propuseram que o grupo xiita Hezbollah cesse todos os ataques contra Israel e que, em contrapartida, Israel interrompa os seus ataques aéreos em Beirute.
"Isto criaria espaço para uma desescalada gradual e uma cessação efetiva das hostilidades", observou um alto funcionário norte-americano.
A mesma fonte relatou que Aoun se mostrou aberto à ideia, mas que o presidente do parlamento libanês, Nabih Berri, terá exigido que Israel interrompa primeiro a sua campanha militar, uma resposta que Washington considerou "dececionante".
A administração do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acrescentou a fonte norte-americana, não espera nem apoia que Israel se abstenha de responder aos ataques do grupo apoiado pelo Irão contra o seu território.