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Ciências da Nutrição da U.Porto vai criar bar-cantina laboratório

Lusa
28-05-2026 16:52h

A Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto abre no próximo ano letivo um bar-cantina que funcionará como um laboratório experimental para confecionar comida de conforto saudável e refeições multiculturais para agregar estudantes estrangeiros.

Em entrevista à agência Lusa, no âmbito do 50.º aniversário da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto (FCNAUP), Pedro Graça, diretor da instituição, revela que o bar-cantina vai ser “pioneiro” na academia, porque as refeições vão ser uma criação entre estudantes do mestrado de Ciências Gastronómicas e de Nutrição Comunitária e Saúde Pública e professores, onde vão ser ensaiados “pratos saborosos com menos sal, pratos inovadores e respostas gastronómicas multiculturais destinadas aos estudantes estrangeiros que optam por vir estudar para a Universidade do Porto (U. Porto)”.

Segundo Pedro Graça, confecionar comidas do mundo para alunos estrangeiros é uma forma de “oferecer conforto emocional com pratos multiculturais saudáveis, para os fazer sentir mais bem acolhidos no Porto” e “dar-lhes condições de qualidade de vida, além da qualidade de ensino”, explicou.

A percentagem de estudantes estrangeiros na FCNAUP é de 23%, um valor “superior à média de estudantes estrangeiros na U.Porto”, observou.

A necessidade de criar comidas de conforto saudável usando um bar-cantina como um laboratório faz parte do objetivo de “mudar a paisagem alimentar” em Portugal e a “geografia da fome”, que diz ser um “fenómeno social e político”.

“Mudar a paisagem alimentar é um ato revolucionário”, pois há “8.3 mil milhões de seres humanos no mundo a comer”, e não se quer “infantilizar a população” com o uso de suplementos, gomas ou injeções milagrosas.

Segundo o diretor, fome no mundo não é um assunto que se queira falar, mas é um “problema inevitável” e um “fenómeno social e até político”.

“Quando abrimos a boca, temos um grande impacto político, porque condicionamos como é que se produz (…) uma escolha, ou carne ou peixe, ou peixe da costa, ou peixe da Gronelândia, ou carne daqui [de Portugal] ou do Brasil. Comer é um ato muito político. E, portanto, o ativismo alimentar é uma revolução, porque nós queremos mudar a paisagem nutricional, mudando a paisagem alimentar”, assume aquele responsável.

A FCNAUP está a celebrar o 50.º aniversário da criação da Faculdade de Ciências de Nutrição, que à época se chamava Curso de Nutricionismo, e os 50 anos do início da formação de nutricionistas em Portugal, porque o primeiro nutricionista formado em Portugal foi na FCNAUP.

A criação do curso de nutricionismo foi um “acaso”, porque teve a ver com a revolução do 25 de Abril de 1974. “Havia estudantes a mais nas Faculdades de Medicina e, portanto, houve necessidade de criar dois cursos - Medicina Dentária e Nutricionismo - na U.Porto, dando resposta ao excesso de estudantes.

A FCNAUP assinala o 50.º aniversário na segunda-feira, no Auditório Professor Norberto Teixeira Santos, com uma Mesa Redonda, subordinada ao tema “50 Anos de Saúde e Nutrição em Portugal”, com intervenções de Graça Freitas, ex-diretora-geral da Saúde (DGS), António Guerra, médico pediatra e docente, Maria João Gregório, diretora do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável da DGS, e conta com moderação de Pedro Graça, também nutricionista e especialista em Saúde Pública.

Na segunda-feira vai ser recriado um almoço temático com os estudantes de Nutrição a interpretarem alguns pratos tripeiros confecionados nos tascos e casas de pasto do Porto, como as tripas à moda do Porto, "mais saudáveis, mas sem perderem a alma”.

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