As medidas sanitárias contra o Ébola foram reforçadas em Brazzaville, separada da República Democrática do Congo (RDCongo) por um rio e que se prepara para receber mais de 3.000 participantes nas reuniões do Grupo Banco Africano de Desenvolvimento.
No Aeroporto Internacional Maya-Maya, na capital da República do Congo, equipas médicas realizam medições de temperatura e oferecem álcool-gel a todos os passageiros, constatou a Lusa no local.
Os casos suspeitos ou confirmados de Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo) - que faz fronteira com Angola - ascendem a mais de 900, incluindo 101 em que a presença do vírus foi identificada em laboratório, alertou hoje a Organização Mundial da Saúde (OMS).
O diretor-geral da agência, Tedros Adhanom Ghebreyesus, destacou as dificuldades em lidar com o surto na província de Ituri, epicentro da crise, onde uma em cada quatro pessoas necessita de assistência humanitária e uma em cada cinco é deslocada interna.
Até à data, foram registadas 204 "mortes prováveis" devido à epidemia declarada em 15 de maio, informou no sábado o Governo congolês.
Hoje, no dia em que as mais de 3.000 pessoas, entre as quais ministros, governadores, representantes de bancos centrais e parceiros multilaterais dos 81 Estados-membros, realizam as respetivas acreditações no Centro Internacional de Conferências de Kintélé, em Brazzaville, é visível a preocupação da organização com medidas de segurança sanitárias.
Placares com avisos para lavar as mãos e cuidados com os cumprimentos físicos são vistos um pouco por todo o evento, assim como as medições de temperatura e o álcool-gel, para além de haver funcionários de saúde a oferecerem máscaras e a realizarem rastreios nos pontos de entrada.
Apesar das medidas de prevenção, não existe qualquer caso confirmado ou suspeito de Ébola na República do Congo, e a OMS não recomenda restrições de viagens ou comércio com Brazzaville.
Segundo avaliações realizadas pela OMS, o risco para os participantes é considerado baixo.
Ainda assim, o BAD adotou um formato híbrido para as reuniões, permitindo participação presencial e remota, de forma a assegurar a participação de todos os delegados, incluindo os que foram afetados por restrições de viagem.
De hoje a sexta-feira, a capital da República do Congo torna-se o centro financeiro de África ao acolher as reuniões anuais do Grupo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), sob o tema "Mobilizar recursos em larga escala para financiar o desenvolvimento de África num mundo fragmentado".
Em conferência de imprensa, que antecedeu a reunião anual, responsáveis do BAD admitiram que o continente se encontra num momento crítico de desenvolvimento, "marcado por um crescente défice de financiamento num contexto geopolítico e económico global em rápida transformação" num mundo cada vez "mais fragmentado, que tem contribuído para a redução do financiamento ao desenvolvimento do continente africano".
Na mesma conferência de imprensa, Kevin Urama, economista-chefe e vice-presidente para a Governação Económica e Gestão do Conhecimento do BAD, recordou que África "necessita de pelo menos entre 184 mil milhões de dólares (158 mil milhões de euros) e 221 mil milhões de dólares (190 mil milhões de euros) para responder às suas necessidades de financiamento de infraestruturas".
Para além disso, especificou que o continente precisa anualmente de cerca de 400 mil milhões de dólares (345 mil milhões de euros) "para acelerar a sua transformação estrutural".