Pelo menos 13 crianças morreram nas últimas 24 horas no Bangladesh devido a sintomas associados ao sarampo, elevando para 512 o número acumulado de mortes desde o início do surto desta doença em março, informaram hoje fontes oficiais.
Apenas uma das últimas mortes infantis foi certificada, de acordo com a Direção-Geral de Serviços de Saúde (DGHS), enquanto as restantes 12 são consideradas suspeitas.
No total, o país asiático regista já 8.494 infeções confirmadas e mais de 62.500 casos suspeitos a nível nacional.
"Desde a covid-19, temos assistido a lacunas na vacinação todos os anos. Estava prevista uma campanha especial de imunização em 2023, mas a instabilidade política adiou-a até há pouco tempo", explicou à agência EFE o epidemiologista Mohammad Mushtuq Husain, ex-diretor científico do Instituto de Epidemiologia do Bangladesh.
Segundo o especialista, após o início do surto foi lançada uma campanha de vacinação, mas o Governo não conseguiu garantir um isolamento comunitário eficaz.
"Devido a limitações socioeconómicas, muitos doentes chegaram tarde aos hospitais, o que resultou num elevado número de mortes", acrescentou.
O sarampo é uma doença viral aguda e altamente contagiosa que afeta pessoas de todas as idades e continua a ser uma das principais causas de morte entre crianças pequenas a nível mundial. É transmitido através de partículas suspensas no ar ou de gotículas provenientes das mucosas de pessoas infetadas.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) assinalou em abril que o surto atual no Bangladesh está a ocorrer num contexto de 'imunidade populacional sub-ótima'.
De acordo com as estatísticas, 91% dos casos concentraram-se em crianças entre 1 e 14 anos de idade devido a lacunas de imunidade, afetando sobretudo menores não vacinados, com uma única dose ou infetados antes dos nove meses, a idade mínima para receber a vacina.