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Ébola: Epidemia na RDCongo pode transformar-se em emergência humanitária incontrolável

Lusa
22-05-2026 19:56h

O Programa Alimentar Mundial (PAM) alertou hoje que a epidemia de Ébola no leste da República Democrática do Congo pode transformar-se rapidamente numa emergência humanitária incontrolável e pediu maior financiamento para ajudar a região.

"Sem uma ação rápida, coordenada e à escala, esta crise sanitária poderá transformar rapidamente a atual insegurança alimentar e crise de saúde numa emergência humanitária incontrolável no leste da República Democrática do Congo (RDCongo) e nas regiões vizinhas", indicou o diretor do PAM na RDCongo, David Stevenson, citado em comunicado.

De acordo com a nota de imprensa, o risco de maior propagação da doença é agravado pela insegurança persistente, pelas deslocações de populações e pelos movimentos transfronteiriços.

"Este surto de Ébola está a atingir comunidades que já se encontram sob extrema pressão: 26,5 milhões de pessoas em toda a RDCongo enfrentam insegurança alimentar aguda, incluindo perto de 10 milhões em níveis de crise ou emergência no leste do país", referiu o PAM.

Segundo Stevenson, "este surto é uma corrida contra o tempo" e o PAM está a intensificar a sua resposta de emergência na região, trabalhando em conjunto com o Governo da RDCongo, nação vizinha de Angola, assim como com a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre outros parceiros, para ajudar a conter a epidemia de Ébola "antes que uma emergência sanitária se transforme numa catástrofe de cariz humanitário mais ampla".

Assim, segundo o PAM, o Serviço Aéreo Humanitário das Nações Unidas (UNHAS), que gere, "garante que a assistência vital chega às comunidades afetadas pelo Ébola, mesmo nas áreas mais remotas".

O PAM frisou que já ajudou no transporte de centenas de profissionais de primeira resposta e trabalhadores humanitários, bem como de dezenas de toneladas métricas de carga médica essencial para as zonas da linha da frente.

"O PAM está também a aumentar a assistência alimentar e nutricional de emergência para mais de 146.000 pessoas na província de Ituri [no leste da RDCongo] e nas comunidades afetadas pelo Ébola", acrescentou.

"Conter o Ébola exige mais do que apenas tratamento (...), exige alimentos, acesso, transporte e logística para que as equipas da linha da frente se possam mover rapidamente e as famílias afetadas possam seguir as medidas de saúde pública em segurança", afirmou. 

Para continuar a sua ajuda humanitária na região, o PAM necessita urgentemente de cerca de 175 milhões de dólares (cerca de 161,5 milhões de euros) para os próximos seis meses para continuar as suas operações vitais no leste da RDCongo, e de 23 milhões de dólares (cerca de 21,2 milhões de euros) para reforçar a logística e a assistência alimentar de emergência a mais de 146.000 pessoas na província de Ituri e nas comunidades afetadas pelo Ébola ao longo dos próximos três meses.

A atual epidemia de Ébola está ligada à estirpe Bundibugyo, que tem uma taxa de mortalidade entre os 30% e os 50% e para a qual não existe vacina autorizada nem tratamento específico, de acordo com a OMS, que estima que o vírus tenha provavelmente começado a circular em Ituri há dois meses.

Fora da RDCongo, o Uganda confirmou dois casos (importados da RDCongo) em Kampala, um dos quais resultou em morte, e o Sudão do Sul está a realizar mais testes laboratoriais para confirmar um caso suspeito reportado pelas autoridades no estado de Equatória Ocidental, perto da fronteira com Kinshasa.

Hoje, o Ruanda proibiu a entrada no país de cidadãos estrangeiros que tenham viajado ou transitado pela RDCongo nos últimos 30 dias, para prevenir a propagação do surto de Ébola declarado há uma semana no leste daquele país.

A OMS declarou o surto como uma "emergência de saúde pública de importância internacional" no passado domingo e alertou hoje que o risco da epidemia de Ébola na RDCongo passou de "elevado" para "muito elevado", o nível máximo de alerta, enquanto os riscos a nível regional permanecem inalterados.

O vírus Ébola transmite-se por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragia interna.

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