O Uganda, o Sudão do Sul e a República Democrática do Congo (RDCongo), países afetados pela epidemia de Ébola, que regista mais de 130 mortos, vão reunir-se sexta-feira e sábado, anunciou hoje a agência de saúde africana.
Na sequência de um pedido das autoridades ugandesas, o Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças (Africa CDC) da União Africana (UA) afirmou, num comunicado, que está a organizar uma reunião para fortalecer "a preparação regional, a coordenação da resposta e o alinhamento de políticas" para lidar com a epidemia.
O encontro na capital ugandesa, Kampala, vai reunir ministros da Saúde, altos funcionários do Governo, institutos nacionais de saúde pública, especialistas técnicos e parceiros regionais e internacionais, incluindo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
As estratégias de preparação e resposta serão harmonizadas além-fronteiras e entre os países afetados e em risco, as lacunas operacionais serão identificadas e a colaboração entre as autoridades será reforçada para evitar a propagação e proteger a população, afirmou.
A epidemia, declarada na sexta-feira e que já causou 139 mortes e 600 casos suspeitos na República Democrática do Congo (RDCongo) e no Uganda, corresponde a uma nova estirpe do Ébola, para a qual não existe vacina e a taxa de mortalidade varia entre 30% e 50%, segundo a OMS.
A OMS acionou no domingo um alerta sanitário internacional para enfrentar a epidemia de Ébola, declarada inicialmente na RDCongo, país da África Central, vizinho de Angola, com mais de 100 milhões de habitantes, onde as províncias orientais, de difícil acesso por estrada, são afetadas e assoladas pela violência de grupos armados.
Na província de Kivu do Sul, área controlada pelo grupo armado Movimento 23 de Março (M23), foi confirmado hoje o primeiro caso de transmissão naquela região, segundo o porta-voz do M23.
Os resultados dos testes "confirmam um novo caso positivo relacionado a uma amostra de Bukavu", capital da província de Kivu do Sul, "em uma pessoa vinda de Kisangani", na província de Tshopo (leste), onde nenhum caso havia sido registado até então, disse o porta-voz do M23, Lawrence Kanyuka.
Segundo as autoridades, o vírus provavelmente começou a circular na província de Ituri há dois meses e espalhou-se para as províncias orientais de Kivu do Norte e Kivu do Sul, ambos territórios envolvidos em um conflito entre o exército congolês e grupos armados.
Além da RDCongo, o Uganda confirmou dois casos e o Sudão do Sul está a realizar testes laboratoriais para confirmar um caso suspeito de Ébola relatado pelas autoridades no estado de Equatória Ocidental, perto da fronteira com a República Democrática do Congo.
Diversos países africanos reforçaram os controlos sanitários e o Ruanda fechou as suas fronteiras.
A RDCongo é regularmente afetada por epidemias do vírus Ébola, que se transmite através do contacto direto com sangue ou outros fluidos corporais de pessoas infetadas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, dores musculares, fraqueza, dores de cabeça, irritação da garganta, febre, vómitos, diarreia e hemorragias internas.