Mais de 1.800 crianças nasceram nos últimos 15 anos fruto de técnicas de procriação medicamente assistida (PMA) realizadas no único centro público no sul do país, sedeado no hospital de Almada, no distrito de Setúbal.
O Centro de Infertilidade e Reprodução Medicamente Assistida (CIRMA) da Unidade Local de Saúde Almada-Seixal (ULSAS), entretanto designado de Centro de Responsabilidade Integrado Fertilidade (CRI Fertilidade), completou na quarta-feira 15 anos de existência e permitiu já ajudar a nascer mais de 1.800 bebés e apoiar mais de 3.390 famílias.
O CRI Fertilidade da ULSAS, que registou taxas de gravidez por transferência embrionária acima dos 40%, é o único centro público a sul do Tejo autorizado a ministrar técnicas de Procriação Medicamente Assistida (PMA).
Neste centro são seguidas famílias de toda a Península de Setúbal (55%), do Alentejo e do Algarve (35%) e da grande Lisboa, Ribatejo e outras regiões (10%).
Em comunicado a ULSAS explica que o centro oferece tratamentos de 1.ª linha - inseminação intrauterina (IIU) - e de 2.ª linha – fecundação ‘in vitro’ (FIV) e microinjeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI).
“Ao todo, foram já realizadas mais de 4.000 FIV e ICSI, mais de 3.500 transferências de embriões criopreservados (TEC) e cerca de 1.720 IIU”, adianta a ULSAS.
A estes números, salienta a Unidade Local de Saúde Almada-Seixal, somam-se milhares de consultas e cirurgias e 199 preservações de fertilidade feminina e 333 preservações de fertilidade masculina, na maioria dos casos pré-quimioterapia e em contexto de doença oncológica.
Foi, entretanto, criada a consulta de aconselhamento reprodutivo para jovens adultos sobreviventes de cancro na infância, que fizeram tratamentos com impacto na fertilidade, e que são referenciados pelo Instituto Português de Oncologia de Lisboa.
A mudança de Centro de Infertilidade e Reprodução Medicamente Assistida (CIRMA) para Centro de Responsabilidade Integrado Fertilidade (CRI Fertilidade) ocorreu em julho de 2024 e, segundo a ULSAS, permitiu aumentar a resposta e melhorar o acesso, “atendendo de forma mais célere às necessidades das famílias que desejam alcançar uma gravidez, reduzindo tempos de espera para consultas e tratamentos”.
“Nos primeiros três meses deste ano, o CRI Fertilidade da ULSAS registou 471 primeiras consultas de fertilidade, mais 74% do que em igual período de 2024, antes da criação do CRI”, salienta a Unidade Local de Saúde Almada Seixal.
Com o aumento do acesso, sustenta, o tempo de espera para primeira consulta reduziu para quase metade e ao nível dos tratamentos de PMA, com destaque para os tratamentos de 2.ª linha, mais do que duplicaram comparativamente com o período homólogo de 2024, de 56 tratamentos, no primeiro trimestre de 2024, para 136, no primeiro trimestre deste ano.
A utente há mais tempo a aguardar o 1.º agendamento de FIV foi inscrita há cinco meses, enquanto antes da constituição do CRI o tempo de espera para tratamentos rondava os 15 meses.
O CRI Fertilidade é composto por uma equipa multidisciplinar de profissionais especializados – quatro médicos especialistas de Ginecologia/Obstetrícia, três biólogos (embriologistas), quatro enfermeiras, duas assistentes técnicas, três técnicas auxiliares de saúde - e uma administradora hospitalar.
Colaboram também com o CRI Fertilidade uma psicóloga, dois endocrinologistas, um geneticista, assim como especialistas de anestesiologia e urologia.
“É com enorme orgulho que festejamos estes 15 anos. São 15 anos de muitas conquistas, de avanços e de grande excelência e humanização dos cuidados. Estamos convictos que a criação deste CRI se trata de uma aposta vencedora e que se tem traduzido numa verdadeira melhoria do acesso a técnicas de procriação medicamente assistida”, afirmou o presidente do Conselho de Administração da ULSAS, Pedro Correia Azevedo, citado no comunicado.