O presidente da Comissão da União Africana expressou hoje profunda preocupação com os surtos de Ébola declarados na República Democrática do Congo e Uganda, entretanto também confirmado no Sudão do Sul, temendo que haja uma propagação regional.
O presidente, Mahmoud Ali Youssouf, elogiou os Governos da República Democrática do Congo (RDCongo) - nação vizinha de Angola - e do Uganda, assim como as autoridades de saúde nacionais e os profissionais da linha da frente, pela sua resposta rápida e pelos esforços contínuos para conter os surtos sob circunstâncias difíceis.
"Saúdo também as medidas de preparação que estão a ser adotadas pelos países vizinhos, particularmente o Sudão do Sul", referiu o representante da UA antes de ter sido declarado um caso no país.
"África já superou grandes desafios de saúde pública antes e, através da unidade, coordenação e ação coletiva, superaremos este também", recordou.
Por outro lado, declarou que a organização apoia totalmente a liderança do seu Centro de Controlo e Prevenção de Doenças de África (Africa CDC) na coordenação de uma resposta continental em estreita colaboração com os Estados-membros, a Organização Mundial da Saúde, parceiros humanitários, doadores e todas as partes interessadas relevantes.
"Apelamos a todos os Estados-membros e parceiros para que intensifiquem o apoio aos esforços de preparação, vigilância e resposta rápida nos países afetados e em risco", reforçou.
As autoridades do Sudão do Sul detetaram hoje um caso do vírus Ébola no estado de Equatória Ocidental, perto da fronteira com a RDCongo e onde foi declarada a origem do surto.
O caso foi detetado através dos sistemas de vigilância permanente estabelecidos nas comunidades fronteiriças, que entraram em ação depois de as autoridades sanitárias da RDCongo terem alertado para o surto de Ébola declarado na passada sexta-feira na província oriental de Ituri, que já causou "91 mortes prováveis" e cerca de 350 casos suspeitos.
Pelo menos uma pessoa morreu também no Uganda, pelo que na sexta-feira o Ministério da Saúde do Sudão do Sul alertou num comunicado para um risco acrescido de transmissão transfronteiriça.
A OMS declarou este domingo uma emergência internacional face a este surto, o que levou vários países africanos a reforçarem os controlos sanitários e a fecharem as suas fronteiras, como é o caso do Ruanda.
O vírus Ébola transmite-se através do contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, febre, vómitos, diarreia e hemorragias internas.
Segundo a OMS, o vírus apresenta uma taxa de mortalidade entre 25% e 90%.