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Médicos de família privados contradizem ministra e afirmam que SNS falha a mais de um milhão

Lusa
07-05-2026 18:35h

A Associação Portuguesa dos Médicos de Família Independentes (APMF) afirmou hoje que o Serviço Nacional de Saúde "está a falhar a um milhão e meio de portugueses”, contradizendo a ministra que classificou como mito as falhas apontadas ao sistema.

“O SNS está a falhar a um milhão e meio de utentes que não têm médico de família” sublinhou a associação, defendendo que “o recurso a um médico de família privado é barato e acessível a todos”.

Em comunicado, a APMF responde assim a declarações da ministra da Saúde, que recusou hoje que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) esteja a falhar na atividade assistencial que presta aos utentes, alegando que isso é um mito "sistematicamente repetido".

"O SNS não falha, esse é um mito que é sistematicamente repetido por causa de haver situações em que a atividade assistencial não é aquela que, eventualmente, comparando com períodos homólogos, era esperada", defendeu Ana Paula Martins.

Para a associação, a ausência de médico de família atribuído deixa mais de um milhão de utentes sem seguimento continuado, prevenção, vigilância das doenças crónicas, diagnóstico e tratamento atempados.

“Ao perderem o médico de família, (os utentes) perderam também o acesso aos exames de diagnóstico comparticipados pelo SNS, sendo duplamente castigados e abandonados”, acrescenta a APMF.

Recordando que, em março, a própria ministra reconheceu a dificuldade em cumprir o objetivo de atribuir um médico de família a todos os utentes, a associação defende o recurso ao setor privado, onde diz existirem “os mil médicos de família que faltam no SNS”.

“A possibilidade de um médico de família do setor privado poder passar exames de diagnóstico pelo SNS a quem voluntariamente opte por um médico de família privado (…) deixando vago o lugar para quem não o tem e precisa, resolvia o problema dos utentes sem médico de família”, argumenta a associação.

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