Uma operação policial em março nas alfândegas dos aeroportos de Lisboa e Porto levou à apreensão de mais de 26 mil unidades de medicamentos ilegais, maioritariamente para disfunção erétil e emagrecimento, adiantou o Infarmed em comunicado.
Segundo informações hoje divulgadas pela autoridade nacional do medicamento, a Operação Pangea XVIII, que decorreu em 90 países entre 10 e 23 de março, levou à apreensão em Portugal de “26.525 unidades de medicamentos ilegais, das quais 4.701 foram apreendidas para destruição ou para análise”.
A operação, que envolveu a Polícia Judiciária (PJ), a Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) e o Infarmed, e que se centrou nas alfândegas aeroportuárias de Lisboa e Porto, incluindo em Lisboa a delegação de encomendas postais, levou ao controlo de 431 encomendas, das quais 85 foram apreendidas no decurso da operação.
”Em Portugal, os medicamentos para a disfunção erétil continuam a liderar as apreensões, sendo também de destacar os produtos para emagrecimento. A apreensão de substâncias anabolizantes, oriundas da China, Índia e Reino Unido, deu origem à abertura de sete inquéritos crime cuja investigação fica a cargo da PJ”, adiantou o Infarmed.
A décima oitava edição da Operação Pangea, que decorreu quase numa centena de países de vários continentes, visou a "apreensão e dissuasão do comércio de medicamentos ilícitos que representam uma ameaça significativa à segurança do consumidor, incluindo medicamentos contrafeitos e medicamentos desviados de cadeias de abastecimento legais e reguladas”.
O comunicado acrescenta que este comércio ilegal representa “uma importante fonte de rendimento para grupos transnacionais de crime organizado, apoiando outras atividades criminosas”.
No global, a operação internacional “levou à apreensão 6,42 milhões de doses de medicamentos ilícitos, no valor de cerca de 13 milhões de euros, à detenção de 269 pessoas e ao desmantelamento de 66 grupos criminosos envolvidos no comércio ilícito de produtos farmacêuticos”.
Foram lançadas 392 investigações e executados 158 mandados de busca contra redes criminosos “responsáveis pela distribuição de produtos médicos não aprovados, contrafeitos, de qualidade inferior e falsificados”.
A nível internacional, para além dos medicamentos para a disfunção erétil, destacam-se as apreensões de sedativos, analgésicos, antibióticos e produtos para deixar de fumar.
A Operação Pangea XVIII levou ainda à desativação de 5.700 páginas de internet, nas redes sociais, canais e ‘bots’ (software automatizado) usados para venda dos medicamentos ilícitos.
Em julho de 2025 cerca de 30.000 comprimidos, cápsulas e outras apresentações individuais de medicamentos ilegais foram apreendidos em Portugal na operação Pangea XVII, que decorreu também em 90 países, com os fármacos para a disfunção erétil no topo da lista.
De acordo com o Infarmed, em Portugal as autoridades impediram na altura a entrada de 29.225 unidades de medicamentos ilegais, com um valor superior a 74.000 euros.