Mais de 160.000 pessoas receberam serviços essenciais de saúde em 2025 e mais de 22.000 mães e 35.000 crianças tiveram educação nutricional, no Parque Nacional da Gorongosa, centro de Moçambique, foi hoje anunciado.
De acordo com um relatório de 2025 do Projeto de Restauração da Gorongosa, 353 brigadas móveis de saúde prestaram serviços essenciais a 160.755 pessoas - incluindo 24.760 crianças -, nesse período, enquanto a educação nutricional contribuiu para uma redução da desnutrição crónica em lactentes de baixo peso à nascença no distrito de Muanza, de 52% para menos de 25%.
"Mais de 8.000 mulheres receberam cuidados pré-natais, com Gorongosa e Nhamatanda a liderarem a prestação de serviços. As gravidezes precoces continuaram a diminuir, reflexo de uma ação continuada de proximidade e do trabalho das equipas de proteção da criança", lê-se no documento.
O relatório avança ainda que mentoras comunitárias conduziram mais de 2.000 sessões sobre planeamento familiar, gravidezes saudáveis e violência baseada no género, envolvendo mulheres, homens e jovens na província de Sofala, e só no último trimestre, as mentoras realizaram 2.287 visitas domiciliárias, chegaram a 2.502 grávidas e envolveram os parceiros em 79% das consultas: "reforçando a responsabilidade partilhada pela saúde materna".
"Os agentes polivalentes elementares (APEs) realizaram mais de 45.000 visitas domiciliárias, prestando cuidados básicos, aconselhamento e encaminhamentos atempados. A monitorização do quarto trimestre confirmou um forte envolvimento, com 152 agentes a visitar perto de 6.900 casas e a prestar rastreio nutricional, vacinação, vigilância de doenças e apoio ao planeamento familiar — colmatando falhas mesmo nas comunidades mais remotas", refere-se no relatório.
Segundo o Projeto de Restauração da Gorongosa, os postos de nutrição rastrearam 6.840 crianças para desnutrição, identificando 30 casos e apoiando 20 crianças até à recuperação total, através de tratamento integrado e acompanhamento. Além disso, acrescenta-se, mais de 3.500 famílias vulneráveis receberam apoio alimentar de emergência, devido a chuvas tardias e a uma colheita fraca.
"Ao combinar educação nutricional prática com o apoio domiciliário regular de Mães e Pais Modelo, as famílias estão a adotar abordagens mais saudáveis às refeições, à amamentação e aos cuidados infantis - gerando melhorias duradouras nos hábitos alimentares e no bem-estar global", explica-se.
De acordo com o documento, foram igualmente concluídas no mesmo ano a construção de 28 novas escolas naquela área, que servem 15.000 alunos, erguidas com técnicas de "arquitetura resiliente" que permitem o seu uso como abrigos comunitários em "condições meteorológicas adversas".
"Concluímos mais cinco novos centros de saúde que prestarão cuidados a mais de 40.000 pessoas. Concluímos o Centro das Áreas de Conservação Comunitária de Cheringoma, com 10 hectares e 256 membros da comunidade (incluindo 98 mulheres) receberam formação durante os projetos de construção", refere-se.
O projeto de restauração daquela área de conservação também desenvolveu 13 projetos comunitários em apicultura, piscicultura e produção de caju que beneficiaram cerca de 30.000 pessoas em 3.500 agregados familiares, além de terem sido plantadas cerca de 350.000 árvores de espécies nativas em 312 hectares.
A Gorongosa foi o primeiro parque nacional de Portugal em 1960, na época colonial, mas foi dilacerado entre 1977 e 1992 pela guerra civil que se seguiu à independência de Moçambique.
O Projeto de Restauração da Gorongosa é uma parceria de gestão entre o Governo de Moçambique e a Fundação Greg Carr, uma instituição filantrópica dos Estados Unidos.
Nas últimas duas décadas, o projeto ganhou reconhecimento internacional como "a maior restauração da vida selvagem da história", descreveu a National Geographic, e tem sido amplamente elogiado pelo modelo integrado de conservação da biodiversidade e desenvolvimento humano.