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Governo dos Açores reitera aposta na complementaridade do Serviço Regional de Saúde

Lusa
30-04-2026 16:45h

A secretária regional da Saúde dos Açores reiterou que o executivo defende a complementaridade do Serviço Regional da Saúde e que o hospital de Ponta Delgada se vai manter como “hospital fim de linha”, mas sem centralização de serviços.

“Aquilo que o Hospital do Divino Espírito Santo [HDES] vai ser é aquilo que na atualidade acontece, ou seja, é um hospital fim de linha, porque presta serviços que mais nenhum hospital da região prestará”, afirmou hoje à agência Lusa a titular da pasta da Saúde do executivo PSD/CDS-PP/PPM, Mónica Seidi.

Numa altura em que o Governo Regional analisa o programa funcional para a reabilitação do maior hospital dos Açores, afetado por um incêndio em maio de 2024, há uma discussão na região sobre se Ponta Delgada deverá ter um hospital central e universitário.

Em março, um grupo de cidadãos da ilha de São Miguel ligados aos meios políticos, empresariais, culturais e sociedade civil lançou uma petição a defender que o HDES seja o “hospital central e universitário” do arquipélago.

No início de abril, o presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada (PSD), Pedro Nascimento Cabral, prometeu ser “intransigente” na defesa de um hospital central e universitário”, enquanto o líder do CDS-PP/Açores e vice-presidente do Governo Regional, Artur Lima, defendeu dias depois que a criação de um hospital central universitário na ilha de São Miguel não era "uma etiqueta política” e tinha de obedecer a critérios técnicos, clínicos, científicos e académicos.

Também o presidente da Câmara de Comércio e Indústria de Angra do Heroísmo (CCIAH), Marcos Couto, já se manifestou preocupado com uma possível centralização de investimentos no hospital de Ponta Delgada.

Questionada sobre a criação de um hospital central, Mónica Seidi ressalvou que esta discussão “não foi levantada pelo Governo Regional”.

“Aquilo que tem sido a nossa aposta e que há inclusive declarações minhas e do senhor presidente do Governo é numa ótica de complementaridade e de reforçar a capacidade global do Serviço Regional de Saúde, ou seja, potenciar a capacidade para tornar o Serviço Regional de Saúde mais robusto”, apontou.

“Não é nossa intenção travar o desenvolvimento de um hospital em nome do outro, nem valorizar a importância de um, sem reconhecer a importância dos outros dois. E que isto fique bem claro”, insistiu.

Segundo a governante, o hospital de Ponta Delgada “oferece alguns serviços e tem especialidades que mais nenhum hospital da região autónoma dos Açores tem”, mas isso já acontecia antes do incêndio.

“Havendo na região essa diferenciação, aquilo que nós dizemos é que o hospital é um hospital fim de linha, exatamente por isso, porque tem a capacidade de prestar serviços que os outros hospitais, por ausência de recursos humanos, muitas vezes não têm”, explicou.

Quanto ao hospital universitário, a titular da pasta da Saúde lembrou que o HDES já tem desde 2008 protocolos com a Universidade dos Açores.

“Há aqui a utilização do HDES, que já vem de longa data para o ensino universitário, que começou por ser o primeiro e o segundo ano de medicina e que na atualidade vai até o terceiro ano de medicina”, referiu.

Atualmente, o hospital não tem o título de universitário, mas essa competência não é do Governo Regional dos Açores, sublinhou Mónica Seidi.

“Aquilo que se vai avaliar é a possibilidade de um centro académico clínico, que são conceitos diferentes, mas não irá avançar um hospital universitário se nós não tivermos a garantia que acontecerá um centro académico clínico”, explicou.

A governante alegou que se está a discutir “algo que não é imediato, que não poderá ser imediato e que não depende exclusivamente do Governo Regional”.

“O HDES irá continuar a ter o ensino universitário, porque já o tem. Isso é ponto assente. Poderá ter condições melhores para esse ensino universitário, porque é natural que aconteça. Outro tipo de discussão, nesta fase, penso que poderá ser até, em certa parte, demagógica, na medida em que há passos que têm de ser criados, e efetivamente temos de perceber se a região tem condições para o ter”, reforçou.

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