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EUA têm de liquidar dívidas à OMS antes de saírem da agência da ONU - diretor

Lusa
29-04-2026 23:16h

O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS) afirmou hoje que os Estados Unidos têm de liquidar as suas dívidas à agência das Nações Unidas antes de a abandonarem.

Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, afirmou hoje numa conferência de imprensa que a saída dos Estados Unidos da agência está sujeita a uma notificação com um ano de antecedência, condição que foi cumprida, mas também “ao pagamento dos valores em atraso".   

"Portanto, esperamos que cumpram, mas ainda não recebemos nada", afirmou o responsável na sede da organização em Genebra.

Os Estados Unidos devem ainda 260 milhões de dólares (aproximadamente 220 milhões de euros) em taxas de adesão referentes aos anos de 2024-2025, de acordo com dados da OMS. 

O Presidente norte-americano, Donald Trump, assinou em janeiro de 2025, poucas horas após regressar à Casa Branca, uma ordem executiva que determina a saída do país da OMS, e que entrou em vigor a 22 de janeiro, segundo Washington. 

Em janeiro, o secretário da Saúde norte-americano, Robert Kennedy Jr., e o secretário de Estado, Marco Rubio, acusaram a OMS, numa declaração conjunta, de inúmeras "falhas durante a pandemia de Covid-19" e de ter agido "repetidamente contra os interesses dos Estados Unidos". 

Em maio de 2025, o Kennedy acusou também a OMS de estar sujeita a uma influência indevida da China, da ideologia de género e da indústria farmacêutica. 

A questão da saída dos Estados Unidos será discutida na próxima Assembleia Mundial da Saúde anual, que reunirá todos os Estados-membros da OMS, de 18 a 23 de maio em Genebra. 

Os Estados Unidos eram o maior doador da OMS, e vários outros países também reduziram o seu apoio à ajuda internacional. 

As restrições financeiras obrigaram a OMS a rever o seu orçamento bienal de 2026-2027 em baixa, de 5,3 mil milhões de dólares (4,5 mil milhões de euros) para 4,2 mil milhões de dólares, e a lançar uma grande reorganização das suas operações e pessoal, com a eliminação de quase 1.300 postos de trabalho em todo o mundo. 

Raul Thomas, diretor-geral adjunto da OMS para Assuntos Corporativos e Conformidade afirmou hoje que, para o orçamento de 2026-2027, "o financiamento está 85% garantido”, tendo sido implementadas "medidas também com o objetivo de controlar as despesas", da agência. 

"E embora saibamos que mobilizar os restantes 15% será particularmente difícil, estamos confiantes de que podemos, se não conseguirmos angariar todos os fundos, pelo menos ajustar as nossas despesas ao nível dos fundos que efetivamente recebermos", afirmou. 

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