O Governo Regional dos Açores quer retomar as vagas preferenciais de internato médico em especialidades que correm risco de deixar de ter médicos na região, a médio prazo, revelou hoje a titular da pasta.
“Estou a dar o exemplo de urologia, como poderia dar também de otorrinolaringologia, cirurgia plástica, dermatologia, neurocirurgia... São especialidades altamente diferenciadas e, neste momento, na Região Autónoma dos Açores, corremos o risco de perder alguns desses serviços. Naturalmente, estamos nesta fase já a tentar evitar que isso ocorra”, afirmou a secretária regional da Saúde e Solidariedade Social dos Açores, Mónica Seidi.
A governante falava aos jornalistas à margem de uma reunião da Comissão Nacional do Internato Médico, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.
Mónica Seidi admitiu que a região tem sentido dificuldades em captar e fixar médicos em algumas especialidades mais diferenciadas, por isso apelou à Comissão Nacional do Internato Médico para que ajude a região a reivindicar junto da ministra da Saúde a criação de vagas preferenciais em internatos médicos.
“Isto não é um capricho da Região Autónoma dos Açores, é uma necessidade para o Serviço Regional de Saúde e para os utentes do Serviço Regional de Saúde e, naturalmente, que vamos continuar o nosso trabalho em articulação também com a Região Autónoma da Madeira para que possamos ter sucesso naquilo que pretendemos”, apontou.
Em causa estão especialidades em que existe atualmente apenas um especialista por hospital na região e outras em que os médicos estão perto da idade da reforma.
Segundo a titular da pasta da Saúde já existiram no passado vagas preferenciais para regiões com mais carências, como os Açores, mas há cerca de 10 anos desapareceram dos mapas de vagas para internatos médicos.
Com uma vaga preferencial, um hospital dos Açores, por exemplo, asseguraria o pagamento do salário do interno, mesmo que a formação não fosse feita na totalidade nesse hospital, com o compromisso de que o médico regressasse à região depois de concluída a formação.
“Naturalmente, ao longo do internato tem de haver aqui um acompanhamento pelo diretor do internato para que sejam cumpridos todos os pressupostos e o interno chegar ao final da especialidade e sentir-se capaz de se propor a exame”, ressalvou Mónica Seidi.
A titular da pasta da Saúde disse esperar que as vagas preferenciais possam ser retomadas já “no próximo processo de escolha das especialidades, que ocorre no mês de novembro”.
“O ano passado tentámos junto da República que houvesse essa atenção e que pudessem ser abertas, mas também admito que foi numa fase talvez já tardia do processo. Este ano, esse levantamento já foi feito, já foi identificado e estamos desde o início do ano a trabalhar no processo para que possamos ter mais sucesso”, salientou.
O processo envolve o Conselho Regional do Internato Médico, o Conselho Nacional do Internato Médico, os colégios de especialidade e a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) que, no âmbito da elaboração do Regime Jurídico do Internato Médico, fazem essa proposta à ministra da Saúde.
Noutras especialidades menos diferenciadas, como medicina geral e familiar ou medicina interna, a região tem aberto vagas de internato que ficam por preencher, sobretudo nas ilhas mais pequenas.
Segundo Mónica Seidi, a solução passa por criar incentivos, em colaboração, por exemplo, com as autarquias dessas ilhas.
“Atendendo àquilo que são as dificuldades de habitação, é completamente diferente o interno saber que tem uma vaga, por exemplo, na ilha de São Jorge, num dos municípios que está articulado connosco e que tem autorização para que no mapa de vagas identifique que há possibilidade de habitação atribuída ao interno se ele vier a ocupar essa vaga”, explicou.
Questionada sobre a contratação de um hemodinamista (cardiologista especializado em cardiologia de intervenção) para o Hospital da Ilha Terceira, a titular da pasta da Saúde disse que ainda estão a decorrer as obras na unidade coronária do hospital, para a instalação do angiógrafo, mas que vários especialistas já manifestaram interesse em ocupar a vaga.
“O conselho de administração e o próprio diretor de serviço de Cardiologia têm feito vários contactos. Não sei dizer diretamente se já há uma pessoa, sei que tinha havido uma manifestação de interesses de vários cardiologistas, mas creio que essa situação será ultrapassada pelo conselho de administração”, revelou.