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Má qualidade do sono pode aumentar risco de acidentes de trabalho em 90% - Especialista

Lusa
22-04-2026 01:00h

Um especialista alertou para o impacto do sono insuficiente na saúde e segurança no trabalho, salientando que a má qualidade está associada a um aumento de até 88% do risco de acidentes no trabalho ou durante o percurso casa-trabalho.

"A solidão diurna e a diminuição da concentração são fatores-chave neste aumento do risco", destacou neurofisiologista clínico e especialista em medicina do sono Óscar Larrosa no contexto do Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho, assinalado em 28 de abril.

O cientista explicou que, no caso da apneia do sono, um dos distúrbios do sono mais comuns, o risco de acidentes pode aumentar até 50%, especialmente em profissões que envolvem conduzir ou utilizar máquinas.

Larrosa enfatizou que o bom funcionamento do ciclo sono-vigília influencia diretamente o desempenho, a saúde e a segurança no trabalho, algo que já se sabe há anos, mas que na Europa tem sido mais lento a ser integrado na cultura do ambiente de trabalho.

O especialista salientou que em países como os Estados Unidos já existem programas corporativos e até incentivos para melhorar o sono dos colaboradores.

E observou que os distúrbios do sono estão ligados ao aumento do absentismo.

De acordo com o relatório internacional sobre o impacto social e económico da insónia nos adultos, 15% da população em idade ativa sofre de insónia crónica, o que se traduz em entre 11 a 18 dias de baixa médica por ano.

No caso da apneia obstrutiva do sono, quando não diagnosticada ou tratada, pode duplicar o risco de absentismo e aumentar a duração da baixa médica.

Larrosa salientou ainda que a privação de sono impacta o presenteísmo, ou seja, os colaboradores que comparecem ao trabalho, mas com produtividade reduzida.

"A insónia crónica pode causar entre 39 a 45 dias de presenteísmo por ano, com uma perda significativa de produtividade", explicou.

Estudos recentes mostraram também que as pessoas que dormem menos de seis horas têm um desempenho significativamente inferior em comparação com as que descansam entre sete e oito horas.

A qualidade do sono está também relacionada com funções como a memória, a concentração, a regulação emocional e a tomada de decisões, por isso, o especialista explicou que os profissionais com responsabilidades dentro das empresas podem ser especialmente afetados após uma noite mal dormida.

Por sua vez, o teletrabalho tem diversas repercussões. Embora a flexibilidade que oferece possa promover melhores hábitos de sono para algumas pessoas, a falta de separação entre a vida pessoal e profissional pode levar a hábitos prejudiciais para a saúde.

Neste sentido, um estudo recente indica que 41% dos trabalhadores remotos apresentam uma fraca qualidade de sono, em comparação com 29% dos que trabalham no escritório.

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