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Centro europeu alerta para risco de infeções gastrointestinais em Santa Maria, Cabo Verde

Lusa
18-03-2026 16:46h

O Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças emitiu hoje recomendações para viajantes devido a um “risco moderado” de infeções gastrointestinais em Santa Maria, ilha do Sal, Cabo Verde, enquanto a origem de casos recentes não estiver controlada.

“A probabilidade de viajantes contraírem Shigella ou outras infeções gastrointestinais quando visitam a região de Santa Maria, em Cabo Verde, é moderada, dado que continuam a ser reportados casos e a origem da infeção ainda não foi identificada”, lê-se na atualização epidemiológica publicada, hoje, no portal do ECDC (sigla em inglês), em www.ecdc.europa.eu.

“Prevê-se que surjam mais casos até que a fonte seja identificada e até que medidas de controlo eficazes sejam implementadas”, pelo que “a transmissão para países europeus não pode ser excluída, particularmente no caso da Shigella”, acrescentou.

O centro indicou que, desde setembro de 2022, “foram detetados mais de 1.000 casos confirmados e prováveis de shigelose e outras infeções gastrointestinais, incluindo salmonelose, em viajantes que regressaram de Cabo Verde para vários países do espaço europeu, Reino Unido e Estados Unidos (EUA), estando ainda a ser reportados novos casos”.

"A maioria das pessoas com shigelose e outras infeções gastrointestinais, incluindo a salmonelose, ficaram alojados na mesma cadeia hoteleira na região de Santa Maria, na ilha do Sal”, refere o ECDC, sem referir qual e indicando que “a origem da infeção ainda não foi identificada”.

A informação atual “sugere fortemente” transmissão por “alimentos ou água, embora alguns casos de transmissão direta de pessoa para pessoa (via fecal-oral) sejam também plausíveis”, acrescentou

No boletim de hoje, o centro europeu recomendou que os viajantes pratiquem “higiene rigorosa das mãos, especialmente antes de cozinhar, comer e após utilizar a casa de banho” e que consumam “alimentos bem cozinhados e servidos quentes”.

Os alimentos prontos a consumir, incluindo frutas e legumes não lavados, saladas e produtos com gelo, devem ser evitados e a água deve ser “engarrafada ou fervida”.

“Se ocorrerem sintomas como diarreia, febre ou cólicas estomacais durante ou após a viagem, procure imediatamente um médico”, acrescentou.

O ECDC recomendou também aos profissionais de saúde e médicos de viagem que “estejam atentos a infeções gastrointestinais nos viajantes que regressam de Cabo Verde” e às autoridades de saúde pública que aumentem “a sensibilização entre clínicas de viagens, laboratórios e médicos sobre o surto em curso”.

Após os primeiros alertas, o ministro do Turismo, José Nogueira, anunciou, em fevereiro, “encontros com os operadores hoteleiros e com a estrutura de saúde da ilha do Sal, para reforçar a articulação, partilhar informação técnica atualizada e assegurar o rigor no cumprimento dos protocolos de vigilância e prevenção".

Mais tarde, no final do mês, à margem da Bolsa de Turismo de Lisboa, o governante disse à Lusa que o sistema sanitário cabo-verdiano está a realizar uma "investigação rigorosa" em toda a cadeia produtiva, desde fornecedores a unidades hoteleiras, "para apurar se há ou não há [um surto]”.

O turismo estrangeiro é o motor da economia do arquipélago, concentrado na ilha do Sal.

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