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Menezes com garantia que valências de cirurgia cardiotorácica ficam no hospital de Gaia

Lusa
17-03-2026 21:11h

O presidente da Câmara de Gaia, Luís Filipe Menezes, disse hoje ter garantias de que as valências de cirurgia cardiotorácica vão ficar no Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/Espinho, após um "combate político" nas últimas semanas.

"Nestes dias foi decidido que a querela que existia, que era a de criar eventualmente um serviço alternativo na cidade do Porto - onde já existe um grande serviço de excelência, no Hospital de São João -  deixou de estar em cima da mesa", anunciou hoje o autarca na reunião pública de executivo, que decorreu na sede da Câmara de Vila Nova de Gaia (distrito do Porto).

De acordo com o autarca eleito pela coligação PSD/CDS-PP/IL, a questão "está decidida", considerando que "a Câmara de Gaia teve um papel preponderante para que esta decisão fosse tomada", após um "combate político nas últimas semanas" que envolveu, segundo Menezes, "a Ordem dos Médicos, a secção regional da Ordem dos Médicos" no Norte e "vários médicos de referência do país", como Eduardo Barroso, na "defesa do serviço de cirurgia cardiotorácica do hospital de Gaia".

Segundo o autarca, com a manutenção do serviço em Gaia, agora é possível "olhar para diante e poder defender melhorias substanciais nos próximos anos do hospital, inclusivamente que o acordo que está a ser apalavrado entre a Universidade de Aveiro e o Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia possa fazer, a curto prazo, o centro hospitalar de Gaia um centro de referência do ensino médico em Portugal".

"Temos a garantia que durante muitos anos Gaia será uma referência em Portugal e na Europa da qualidade dos serviços médicos de saúde pública em cardiologia", assegurou o autarca.

Na oposição, o vereador do PS João Paulo Correia considerou que o desfecho se enquadra num "ataque que o Governo tem feito" ao hospital de Gaia "no último meio ano".

Segundo o vereador socialista, o Governo "tentou desclassificar" o serviço de pediatria, tendo sido tomada uma posição conjunta no executivo gaiense entre todas as forças políticas, e "o Governo recuou, não desclassificando e não baixando de nível" o serviço.

"Vila Nova de Gaia tem o melhor serviço de cardiologia de Portugal. É olhado de todo o país como o melhor hospital no serviço de cardiologia. E de cada vez que Vila Nova de Gaia, o nosso hospital, atinge números históricos no país - por exemplo, na sua categoria, é o melhor hospital do país com os melhores índices de gestão do país - isso causa muita reação negativa do outro lado do rio e do Porto, principalmente num hospital chamado Santo António", considerou.

João Paulo Correia disse que o hospital de Santo António "quer muito retirar a valência de Vila Nova de Gaia e por isso é que convenceu a ministra da Saúde [Ana Paula Martins] a ter um centro de cirurgia cardiotorácica", mas para tal "precisa que os médicos, que não estão à disposição", viessem de Gaia ou de outros hospitais.

"Isso obviamente fragiliza mais uma tentativa de fragilização, de diminuição da capacidade de resposta do nosso hospital", vincou.

A finalizar a discussão, Luís Filipe Menezes disse que a Câmara de Gaia está pronta a tomar posições "agradáveis ou desagradáveis" relativamente a qualquer ministro da Saúde ou Governo.

Em 19 de fevereiro, o presidente da Câmara de Gaia já tinha apelidado "muito preocupante e grave" a intenção de se criar um centro de cirurgia cardíaca no hospital Santo António, no Porto, "esvaziando" aquele serviço do hospital de Gaia.

Também o diretor do serviço de cirurgia cardiotorácica da Unidade Local de Saúde (ULS) Gaia/Espinho, Paulo Neves, alertou que a abertura de um novo centro de cirurgia cardíaca na região Norte, nomeadamente na ULS Santo António, no Porto, "amputaria capacidade aos centros existentes".

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