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Sindicatos disponíveis para negociar com ULS Lisboa Ocidental horas extra

Lusa
16-03-2026 19:24h

Sindicatos de médicos, enfermeiros e funcionários da ULS Lisboa Ocidental manifestaram hoje disponibilidade para negociar com a administração do hospital um prazo para o pagamento das horas extraordinárias, mas admitem avançar para uma greve caso tal não aconteça.

“Estamos abertos para discutir esse prazo. Se isso não acontecer, a greve é uma das formas de luta que os trabalhadores têm e certamente será colocada em cima da mesa”, disse à Lusa o presidente do Sindicato dos Médicos da Zona Sul e da Federação Nacional dos Médicos (SMZS–FNAM), André Gomes, após um plenário de trabalhadores do Hospital de São Francisco Xavier, que integra a Unidade Local de Saúde Lisboa Ocidental (ULSLO).

O responsável afirmou que, na próxima quinta-feira, os sindicatos vão ter uma reunião no Hospital de São Francisco Xavier com o conselho de administração da ULSLO, esperando-se que neste encontro fique estabelecido um prazo para os trabalhadores começarem a ser pagos.

O sindicalista indicou que o SMZS-FNAM, o Sindicato Enfermeiros Portugueses e o Sindicato dos Trabalhadores em Função Pública estão disponíveis para ouvir o conselho de administração da ULSLO sobre a eliminação dos registos de horas por pagar.

O plenário, que segundo os sindicatos reuniram cerca de 100 trabalhadores, realizou-se após queixas dos funcionários sobre a eliminação de horas que estão por pagar.

“Temos que esclarecer muito bem porque a lei não está a ser cumprida neste momento na ULS [Unidade Local de Saúde] de Lisboa Ocidental”, disse o responsável, indicando que os sindicatos estão disponíveis para ouvir o conselho de administração e que há tempo para resolver o problema das horas extra.

Com base em relatos ouvidos no plenário, André Gomes avançou que existe um conjunto de profissionais que tem trabalhado centenas de horas extraordinárias, alguns até milhares, que nunca foram pagas.

Segundo o responsável, o problema não é recente e não está relacionado com a atualização do programa informático da ULSLO, unidade que junta os hospitais de São Francisco Xavier, Egas Moniz e Santa Cruz e 19 centros de saúde.

“Há horas extras que estão por pagar desde o ano passado ou desde há dois anos”, referiu o sindicalista, dando o exemplo de médicos mais jovens a tirar a especialidade que têm horas extras que não são pagas e nem sequer contabilizadas.

Na semana passada, a presidente do Sindicato Independente de Todos os Enfermeiros Unidos, Gorete Pimentel, referiu à Lusa que quando os enfermeiros foram consultar o programa onde fazem o registo das entradas e saídas diariamente e onde consta também o saldo de horas por pagar e os feriados por gozar, “estava tudo eliminado”.

Na altura e contactada pela Lusa, a ULS Lisboa Ocidental avançou que, com o objetivo de otimizar e garantir ganhos de eficiência, está a ser implementada uma nova versão do sistema de registo de assiduidade, prevendo para breve a sua conclusão.

“Realça-se que nenhum trabalhador será prejudicado nessa transição. Todo o histórico do registo individual será devidamente preservado, designadamente no que respeita ao registo de trabalho efetuado e constante na anterior versão deste sistema”, assegurou a unidade de saúde.

O presidente do Sindicato dos Médicos da Zona Sul e da Federação Nacional dos Médicos disse ainda que outro tema a abordar na reunião de quinta-feira com o conselho de administração é a falta de profissionais de saúde, sendo “muito urgente” a sua contratação.

“Há poucos médicos, há poucos enfermeiros, há poucos auxiliares e há poucos técnicos”, acrescentou André Gomes.

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