O Governo dos Açores já adjudicou o programa funcional para o futuro Hospital de Ponta Delgada, prevendo que este seja o programa final e fique concluído até ao final do semestre, foi hoje revelado.
“Este é um processo com alguma burocracia associada, mas queria dar nota de que o mesmo já se encontra adjudicado. Entretanto, fomos mantendo reuniões com a própria empresa no sentido de irem avançado em alguns pontos que podiam, desde já, ser transmitidos e que nos permitem agilizar algum tempo”, avançou à agência Lusa a secretária da Saúde e Segurança Social do Governo dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM).
Segundo Mónica Seidi, a empresa Antares Consulting vai agora reformular o plano funcional que já tinha elaborado, após a administração do Hospital Divino Espírito Santo de Ponta Delgada (HDES), a Comissão de Análise e o Conselho do Governo Regional terem-se pronunciado sobre a primeira versão do documento.
“Uma vez que é necessário reformular aquilo que foi o trabalho feito inicialmente pela Antares, obrigou a que fosse feito um novo procedimento para que esta empresa possa desenvolver um programa funcional com base naquilo que foram os contributos que saíram do Conselho do Governo”, explicou.
A secretária regional adiantou que o caderno de encargos prevê que o “prazo máximo para entrega do programa funcional ocorra no máximo até oito semanas após a assinatura do contrato”, adiantando que a expectativa do Governo dos Açores é ter o programa finalizado até ao “final do primeiro semestre”.
“Neste momento, estamos a aguardar documentos que são necessários para a tramitação correta do processo de contratação e adjudicação, o qual está sujeito a um prazo de cinco dias úteis, que termina no final desta semana e início da próxima, para que, de forma formal, a Antares possa iniciar o trabalho de campo”.
A reformulação do plano funcional vai custar cerca de 70 mil euros e obrigar a empresa a “reunir novamente com os serviços” clínicos e não clínicos do HDES, tratando-se de um “trabalho complexo e moroso”.
“Não era expectável que o programa funcional ficasse totalmente pronto na sua primeira versão. Não era nada disso que estávamos à espera, à semelhança de outros programas funcionais. Naturalmente, a criação de uma comissão de análise era para ser feita uma análise que identificasse lacunas como as que foram identificadas”, destacou.
Mónica Seidi garantiu que a intenção do Governo Regional é que este seja o programa funcional final do futuro HDES.
“Não vamos estar eternamente com alterações e contributos. Queremos mesmo que esta segunda versão vá ao encontro das premissas do Governo Regional, respeitando e dando atenção aos contributos dos serviços do HDES”, reforçou.
A secretária regional realçou que em causa está um “programa funcional muito detalhado”, o que poderá permitir agilizar o processo de reconstrução do HDES.
“Num projeto normal, nós precisaríamos ainda de um programa preliminar feito por uma equipa especializada e posteriormente lançar o projeto de execução. Agora, o detalhe que temos neste programa funcional poderá ser suficiente para que não seja necessário fazer um programa preliminar”, detalhou.
Mónica Seidi garantiu, contudo, que “não vai abdicar” da “qualidade do projeto de execução”, mesmo que seja “muito fácil apontar o dedo à inércia do Governo” Regional, crítica que rejeita.
“É um processo muito moroso, sujeito a uma data de burocracia, mas ainda estamos com um tempo de desenvolvimento inferior a dois anos, o que acaba por ser bastante positivo, pese embora reconheça que há necessidade emergente de a ilha de São Miguel e toda a região perceber o que vai ser o futuro do HDES”, vincou.
Em 04 de maio de 2024, o maior hospital dos Açores foi afetado por um incêndio, que obrigou à transferência de todos os doentes para outras unidades de saúde da região, da Madeira e do continente, tendo sido construído um hospital modular junto ao edifício do HDES para assegurar a resposta dos cuidados de saúde.