Os profissionais de saúde moçambicanos, em greve desde 16 de janeiro, apelaram a um maior comprometimento do Governo no processo das negociações sobre as reivindicações no setor, ameaçando prolongar a paralisação, que não é reconhecida pelo executivo.
"Se não houver avanços satisfatórios, a greve pode ser prolongada", disse à Lusa o presidente da Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM), Anselmo Muchave.
O diretor Nacional de Assistência Médica, Nelson Mucopo, afirmou em 27 de fevereiro desconhecer se a greve anunciada e prorrogada pelos profissionais do setor está em curso, alegando a presença dos funcionários nos hospitais.
Mucopo rejeitou ainda alegações desses profissionais que apontavam, na altura, 725 mortos por falta de assistência nas unidades sanitárias, desde 16 de janeiro, aquando do início do primeiro período de paralisação, número que subiu para 1.116 óbitos, conforme atualização apresentada antes da prorrogação da paralisação.
"Do momento estamos no diálogo e o Governo já assumiu que não tem nada [medicamentos e outros materiais de apoio] nos seus armazéns e nós perguntamos o que fazer com as pessoas que vem as nossas unidades sanitárias. Eles ficaram de marcar uma reunião para quarta-feira, mas depois desmarcaram", lamentou, garantindo que o prolongamento da greve, continuada por mais 30 dias em 16 de fevereiro, depende das negociações.
Num balanço dos quase dois meses da greve - que se cumprem em 16 de março -, em reivindicação do pagamento completo do 13.º salário de 2025, contra os 40% aprovados pelo Governo, e melhores condições de trabalho no setor, Muchave destacou a pressão feita pela classe para o diálogo com o Governo e o consequente reconhecimento dos problemas do setor.
Apesar disso, o responsável lamentou a morosidade na resposta do Governo e o impacto nos serviços de saúde.
"A APSUSM continua firme na defesa dos direitos dos profissionais de saúde", reiterou.
O presidente daquela associação, que abrange cerca de 65.000 profissionais de saúde de diferentes departamentos, avançou ainda que as negociações estão agora em curso, pedindo maior comprometimento neste processo ao Governo.
O ministro da Saúde moçambicano, Ussene Isse, classificou anteriormente como “uma tristeza” esta greve, mas admitiu problemas no setor.