Dez projetos de investigação e intervenção comunitária nas áreas da oncologia e virologia são hoje distinguidos na 11.ªedição do Programa Gilead GÉNESE, num total de 300 mil euros.
Os projetos selecionados - quatro de investigação e seis de intervenção comunitária - abrangem as áreas do VIH, hepatites virais crónicas, cancro da mama e linfoma não hodgkin de células B.
No total, foram recebidas 47 candidaturas, submetidas por diversas entidades, incluindo instituições do Serviço Nacional de Saúde (SNS), instituições académicas e científicas e organizações não-governamentais.
Entre os projetos de investigação distinguidos este ano estão uma estratégia para expandir e caracterizar células tumorais circulantes no cancro da mama; a modulação da migração imunitária para potenciar a eficácia da imunoterapia em linfomas não-hodgkin de células B, recorrendo a modelos experimentais avançados; o estudo do HIV-2 como modelo de controlo imunológico natural da infeção e o desenvolvimento de uma plataforma inovadora para acelerar e validar novas abordagens terapêuticas anti-VIH.
Os projetos de intervenção comunitária incluem uma iniciativa – apresentada pela associação Acreditar - que visa reforçar a literacia em oncologia pediátrica e do jovem adulto, com especial enfoque em patologias prevalentes nesta faixa etária, incluindo linfomas não-hodgkin de células B, capacitando cuidadores, jovens e profissionais na área da saúde. A intenção é aumentar a autonomia, reduzir a ansiedade, melhorar a adesão terapêutica e fortalecer a comunicação com as equipas de saúde.
Outro dos projetos – da Associação de Apoio às Reuniões de Infeccionlogia - propõe uma avaliação comparativa de modelos de prestação de cuidados de PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) em contexto hospitalar e comunitário, com foco em "populações chave" mais vulneráveis ao VIH, incluindo a co-produção de materiais de prevenção focados na redução de riscos e protocolos de prestação de cuidados integrados.
Na mesma área surge outro dos projetos de intervenção comunitária distinguidos este ano, apresentado pela Liga Portuguesa Contra a SIDA, envolvendo consultas comunitárias de PrEP (Profilaxia Pré-Exposição), para aumentar o acesso ao tratamento preventivo de VIH, especialmente para populações mais expostas ao risco de infeção, reduzindo a sobrecarga do SNS.
A associação Abraço viu distinguido o seu projeto que envolve o consumo de substâncias para melhorar ou prolongar experiências sexuais (‘chemsex’) de homens que têm sexo com homens. Os promotores pretendem caracterizar os perfis e práticas associadas, identificar fatores de risco e promover informação acessível sobre prevenção de infeções sexualmente transmissíveis, redução de riscos e prevenção de overdoses, bem como aumentar a literacia em saúde.
Também envolvendo o ‘chemsex’ surge outro dos projetos, apresentado pelo Positivo - Grupos de Apoio e Autoajuda, que pretende compreender as experiências, significados e processos sociais associados a esta prática entre homens que têm sexo com homens e mulheres na área metropolitana de Lisboa.
Outro dos projetos de intervenção comunitária envolve a reabilitação da memória prospetiva – capacidade de lembrar ações futuras - em sobreviventes de cancro da mama através de uma aplicação de realidade aumentada para ‘smartphone’, apresentado pela Universidade Portucalense Infante D. Henrique.
A cerimónia de distinção dos vencedores, que hoje decorre no Centro Cultural de Belém , em Lisboa, inclui um debate - “Do Dado à Decisão: O Acesso à Inovação em Saúde” – com a participação de Nuno Sousa, presidente da Agência de Investigação Clínica e Inovação Biomédica (AICIB), Ricardo Fernandes, diretor-geral adjunto do Grupo de Ativistas em Tratamentos (GAT), e Pedro Pita Barros, professor de Economia da Nova SBE.
Desde a sua criação, em 2013, o Programa Gilead GÉNESE recebeu 565 candidaturas e já apoiou 134 projetos - 74 de investigação e 60 de intervenção comunitária -, de 54 instituições nacionais, num montante global de financiamento que ultrapassa os 3,1 milhões de euros.