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Direção Executiva nega ter dados instruções aos hospitais para reduzir a atividade assistencial

Lusa
10-03-2026 15:37h

A Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde (DE-SNS) negou hoje ter dados instruções aos hospitais no sentido de reduzir a atividade assistencial, assegurando que as orientações emitidas “foram no sentido contrário”.

O esclarecimento da DE-SNS surge após as críticas feitas hoje pela Ordem dos Médicos (OM) sobre “a orientação da Direção Executiva do SNS para travar, em 2026, o aumento de consultas e cirurgias nos hospitais e limitar o reforço de recursos humanos e financeiros necessários”.

Contactada pela agência Lusa, a DE-SNS afirmou ser “falso que tenha sido sequer sugerido, e muito menos dadas quaisquer instruções, no sentido de reduzir a atividade assistencial, seja ao nível de cirurgias, consultas ou de qualquer outra linha de atividade”.

A Direção Executiva acrescentou que, na Assembleia de Gestores do SNS realizada na quarta-feira, as orientações “foram no sentido contrário, escusando-se a avançar mais pormenores, uma vez que não se pronuncia “sobre reuniões internas”.

A Ordem dos Médicos manifestou preocupação com a possível redução da atividade assistencial, alertando que “num SNS já sob enorme pressão, esta opção não traduz qualquer ganho de eficiência”.

“Trata-se de um travão administrativo com impacto clínico negativo para os doentes”, sublinhou, defendendo que é preciso criar condições para “uma gestão rigorosa e sustentável”, antes de fazer “cortes financeiros cegos”.

Para isso, defendeu ser necessário “avaliar e identificar desperdícios que só uma verdadeira governação clínica pode corrigir”.

“É aí que se exige uma reforma séria”, vincou no comunicado.

A Ordem dos Médicos já tinha alertado que menos financiamento disponível, sem uma gestão mais eficiente, significará inevitavelmente menos cuidados, maiores listas de espera, mais consultas e cirurgias adiadas e mais doentes por tratar.

“Reformar o SNS exige organização, governação clínica e investimento inteligente. Não se reforma o sistema tratando mal e menos pessoas”, sublinhou o bastonário dos médicos, Carlos Cortes, citado no comunicado.

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