A administração da Unidade Local de Saúde de Trás-os-Montes e Alto Douro (ULSTMAD) refutou hoje as acusações do sindicado, garantindo que não há horas extraordinárias por pagar aos médicos e que há progressões nas carreiras.
Após uma reunião com médicos no hospital de Vila Real, sede da ULSTMAD, o Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) alertou para a falta de médicos nesta Unidade Local de Saúde e para problemas como horas extraordinárias por pagar e falta de avaliações que impedem as progressões na carreira.
A Lusa pediu uma reação ao conselho de administração da ULSTMAD que, por escrito, refutou as afirmação do sindicato, feitas pela presidente Joana Bordalo e Sá, garantindo que, “à data, não existem horas extraordinárias por pagar”.
Confirmou ainda que “há progressões nas carreiras médias na ULSTMAD”.
Inserida na iniciativa “Caravana FNAM 2026”, da Federação Nacional dos Médicos, decorreu hoje uma reunião, no hospital de Vila Real, sede da ULSTMAD, que juntou cerca de 50 clínicos.
“Percebemos que há médicos, nomeadamente de medicina interna, que fazem trabalho extraordinário e que, pura e simplesmente, não está a ser pago. Isto é absolutamente inaceitável”, salientou Joana Bordalo e Sá, após a reunião.
A presidente do SMN referiu ainda que os “colegas também não são avaliados e, portanto, não progridem” e ficam “no mesmo escalão anos e anos e anos a fio”, situações que disse que levam ao abandono do Serviço Nacional de Saúde (SNS) ou à emigração.
“A própria ULS não cumpre com direitos básicos que têm a ver com pagamento justo e correto de trabalho extraordinário e também da questão da progressão que tem que acontecer”, resumiu.
O SMN alertou para a falta de médicos na ULS, que abrange ainda os hospitais de Chaves e Lamego e cerca de 20 centros de saúde, e apelou à criação de condições que ajudem a fixar profissionais nesta região.
Aos jornalistas, o SMN apontou ainda para “constrangimentos significativos no acesso a cuidados diferenciados” pelos doentes, exemplificando com “doentes com patologia cardíaca continuam a ser encaminhados para o litoral, nomeadamente para a região do Porto, para intervenções que hoje podem ser realizadas por via percutânea — sem cirurgia aberta — como acontece nos procedimentos de hemodinâmica”.
Mas as preocupações do sindicato são também em relação aos cuidados de saúde primários.
Segundo dados do sindicato, em 2024 foram solicitadas 24 vagas para médicos de família, tendo sido abertas apenas 15 e, em 2025, o “cenário agravou-se”, pois das 28 vagas propostas pela ULSTMAD, a tutela disponibilizou apenas 10 lugares, existindo cerca de “16 mil utentes sem médico de família numa área que abrange cerca de 20 concelhos”.
Joana Bordalo e Sá apontou responsabilidade ao Governo, à ministra da Saúde, Ana Paula Martins e ainda à administração da ULSTMAD.