O ministro da Saúde moçambicano, Ussene Isse, admitiu hoje ficar “envergonhado” ao receber denúncias de mau atendimento e cobranças ilícitas nos hospitais, apontando que humanizar as unidades sanitárias é um “grande desafio” que não o deixa dormir.
“Temos um grande desafio neste ciclo de governação: O grande desafio tem a ver com a humanização, a qualidade e a segurança dos nossos doentes. Este é um assunto que não nos deixa dormir. Fico muito envergonhado como ministro da Saúde quando vejo nas redes sociais mau atendimento, cobranças ilícitas, isto dói, porque na saúde não pode existir gente que trata mal o outro”, disse Ussene Isse.
O ministro falava em Maputo, na inauguração do primeiro Laboratório de Simulação Realística de Técnicas de Enfermagem em Cuidados Intensivos, tendo criticado os profissionais da saúde que não atendem aos pacientes nas unidades sanitárias: “Aquele que causa dor, causa cicatrizes de dor, de sofrimento ao outro, não pode estar na saúde, escolheu mal a profissão, não pode de maneira nenhuma. Aquele que não vai trabalhar para não atender ao outro não pode. Todos nós temos dificuldades, temos problemas, vamos discutir os nossos problemas, mas aquele que é o centro da nossa formação é o paciente, é o doente”.
Em 24 de fevereiro, o Governo moçambicano disse que espera “elementos concretos” do ministro da Saúde sobre uma eventual crise no setor, face a relatos de falta de material hospitalar nas unidades sanitárias, para avançar com medidas.
"Se há ou não crise no setor da saúde, temos registo de situações, mas o ministro tem que nos apresentar elementos concretos”, disse o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa.
Ao responder a perguntas dos jornalistas sobre uma eventual crise no setor da saúde, com denúncias de falta de material hospitalar nas unidades sanitárias, uma reclamação que os profissionais do setor fazem há anos, Impissa admitiu a possibilidade de “haver situações de maus comportamentos” no setor, frisando que o executivo espera informações do ministro de tutela para avançar com medidas concretas.
O setor da saúde enfrenta, há quatro anos, greves e paralisações convocadas pela Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM), que abrange cerca de 65.000 profissionais de saúde de diferentes departamentos.
Além de pagamento de horas extraordinárias, estes profissionais exigem melhores condições de trabalho, incluindo a disponibilização de medicamentos e material hospitalar.
O Sistema Nacional de Saúde moçambicano enfrentou, nos últimos três anos, diversos momentos de pressão, provocados por greves também convocadas pela Associação Médica de Moçambique (AMM), exigindo melhorias das condições de trabalho.